GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

Câmara do Rio de Janeiro aprova abertura de impeachment de Crivella

Por 35 votos a 14, vereadores criam comissão que investigará denúncia contra prefeito do Rio

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2019 | 18h19

RIO - O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), vai ser investigado por crime de responsabilidade e pode ser cassado. A Câmara Municipal carioca aprovou nesta terça-feira, 2, por 35 votos a 14, a instalação de comissão que terá 90 dias, a partir da notificação do prefeito, para investigar a denúncia e produzir relatório pedindo o impeachment ou não de Crivella.

Crivella teve sorte na escolha do trio que vai compor a comissão processante. Dois dos três vereadores sorteados são seus aliados e votaram contra a investigação que vão comandar.

A denúncia foi protocolada na segunda-feira, 1, pelo fiscal Fernando Lyra Reis, que atua na Secretaria Municipal de Fazenda. Ele acusa Crivella de irregularidade na renovação de um contrato de publicidade em pontos de ônibus, relógios e outros mobiliários, que teria resultado em prejuízo à prefeitura estimado em quase R$ 30 milhões.

Em texto e vídeo veiculados pelas redes sociais ontem, Crivella afirmou que Reis “foi exonerado recentemente” da prefeitura e sugeriu que o servidor fez o pedido como retaliação, e negou qualquer irregularidade. O prefeito disse que a renovação do contrato com as empresas foi recomendada por técnicos da Secretaria de Fazenda e por parecer da Procuradoria Geral do Município. “A prefeitura não teve nenhum prejuízo, pelo contrário, recebeu muitos recursos por causa desse aditivo”, disse. Em mensagem enviada aos vereadores, Reis desmentiu: “Eu não fui demitido, sou estatutário.”

Sem apoio. A perda de apoio a Crivella na Câmara já havia se evidenciado no último dia 26, quando faltou apenas um voto para a aprovação de uma mudança na Lei Orgânica do Município, em que seria instituída eleição indireta para prefeito em caso de vacância do cargo nos dois últimos anos de mandato. Hoje, a eleição só é indireta quando essa situação ocorre durante o último ano.

O vereador Paulo Messina (PROS), deixou o cargo de secretário da Casa Civil para votar a favor de Crivella. Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, votou contra o prefeito. A comissão será integrada por Messina, Luiz Carlos Ramos Filho (Podemos), como relator, e Willian Coelho (MDB), o único dos três a apoiar a investigação, como presidente. Crivella tem dez dias para apresentar defesa. Ele só cai se dois terços dos vereadores decidirem pelo impeachment.

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