Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Câmara deve decidir sobre aumento de 61,8% no salário de vereadores de BH

Segundo interlocutor de Márcio Lacerda (PSB), prefeito não se posicionará por ser ano eleitoral e para não melindrar aliados

Marcelo Portela, de O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2012 | 18h50

Cortejado pelas direções do PT e PSDB mineiros para a disputa pela reeleição, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), deve evitar o ônus em ano eleitoral e deixar para a Câmara Municipal a publicação do projeto de aumento dos salários dos vereadores da capital. Aprovado na última reunião ordinária de 2011, o texto aumenta em 61,8% os vencimentos dos parlamentares a partir de 2013, índice que, caso passe a valer, fará os salários saltarem dos atuais R$ 9.288,05 para R$ 15.031,76.

 

Nesta quinta-feira, 5, a Câmara enviou o projeto para Lacerda, que pode vetar ou sancionar o texto. Atualmente, o partido do prefeito está nas graças tanto de legendas da base aliada do governo federal quanto da oposição devido ao cacife principalmente de seu presidente, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Mas um dos interlocutores de Lacerda afirma que ele não se posicionará para não melindrar aliados.

 

Com isso, na avaliação do correligionário, Lacerda espera evitar desgaste com os parlamentares, ao mesmo tempo em que reduz o ônus perante o eleitorado. "Tem uma pressão popular e ninguém quer um desgaste desses. Mas, se vetar, pode criar arestas com os vereadores", ressaltou o socialista, antes de novo protesto em frente à sede da Prefeitura na tarde desta quinta feito por integrantes do grupo "Veta Lacerda", criado nas redes sociais da internet.

 

Se o prefeito não se manifestar em 15 dias úteis, pode ficar a cargo do presidente em exercício da Câmara, o vereador Alexandre Gomes (PSB), promulgar a lei. Ele avaliou que a provável abstenção de Lacerda não é uma manobra, mas sim uma "tradição". "Tenho 20 anos de Câmara. É praxe o prefeito não sancionar aumentos. Foi assim nas três últimas legislaturas", lembrou.Para Gomes, a pressão sobre o prefeito é uma "campanha" para tentar enfraquecer o partido antes das negociações para a disputa eleitoral. Integrantes do PT, por exemplo, já demonstraram interesse em uma aliança para a eleição proporcional. O partido, assim como o PSDB, deve se aliar ao PSB em torno da reeleição do socialista. "Há uma campanha velada contra o prefeito. Com interesses partidários", afirmou.

 

Salários. O vereador acredita que a mobilização nas redes sociais também tem uma certa "manipulação para atingir o Lacerda", além da falta de informação de parte do eleitorado. "O índice (do aumento) é elevado e compreendo a revolta da população. Mas ele não foi inventado. É cópia dos deputados estaduais. Nosso salário fica congelado", ressaltou, lembrando que os aumentos só valem para a legislatura seguinte. "O salário para a maioria pode parecer alto. Mas um médico recém-formado ganha R$ 6 mil. É o que eu ganho com os descontos", acrescentou o vereador, médico por formação.

 

Porém, um dos integrantes do "Veta Lacerda", o coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Guilherme Lima, avaliou que não há como os eleitores não se indignarem. Estudante de Medicina, Lima ressaltou que "o percentual que colocaram é absurdo". "O referencial de aumento de outras categorias não chega nem perto. É abuso de poder", disparou. Ele acredita na possibilidade de o projeto não vingar. "Diante da () repercussão que teve esse aumento, se o prefeito não se manifestar, acreditamos que a Câmara vai recuar", declarou.

 

Dos 41 vereadores da capital, 22 votaram a favor do projeto, três - Neusinha Santos (PT), Iran Barbosa (PMDB) e Arnaldo Godoy (PT) - foram contra e os demais se abstiveram. "Há vereadores apoiando o 'Veta Lacerda', mas é demagogia. Por que não votaram contra ou apresentarem emenda com outro índice", indagou Alexandre Gomes, sem citar nomes. "Quem não participou da votação tem uma carga de omissão, ao menos eticamente. Vamos manter a mobilização até as eleições para mostrar quem votou a favor", concluiu Guilherme Lima.

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