Câmara de Umuarama acusa funcionário de desvio de recursos

Um funcionário com cargo em comissão da Câmara Municipal de Umuarama, a 560 quilômetros de Curitiba, no noroeste do Paraná, é acusado de ter desviado pelo menos R$ 541 mil dos cofres da Casa entre novembro de 2003 e julho deste ano. Uma sindicância foi realizada nos últimos 30 dias e os resultados que incriminam o ex-chefe da Divisão de Contabilidade e Patrimônio, Carlos Martins, foram entregues ao Ministério Público, com a orientação de que seja solicitada quebra de sigilo bancário. O acusado não foi encontrado na cidade.Segundo o presidente da Câmara Municipal de Umuarama, Antonio Milton Siqueira (PMDB), a desconfiança de que alguma coisa não estava correta veio a partir de informes do Tribunal de Contas do Estado. Ele contratou, então, uma empresa de contabilidade. No entanto, Martins não queria entregar a senha correta da transmissão magnética de recursos da Caixa Econômica Federal. Quando Siqueira obrigou-o a fazê-lo, no dia 3 de agosto, o funcionário, que tinha o cargo em comissão desde 1994, não mais apareceu para o trabalho. Por isso, foi exonerado por abandono de emprego.As investigações mostraram que, no período analisado, por meio de uma alteração no código de transferência, ele desviou para sua conta particular R$ 453 mil. "No holerite está tudo certo (ele recebia R$ 2,4 mil), mas o dinheiro que entrava na conta não era o que nele constava", disse Siqueira. "Em alguns meses mais, em outros menos, mas não pulava nenhum mês." Apesar de estar subordinado ao presidente da Câmara e ao diretor da área de Contabilidade, apenas ele possuía a senha de transferência e movimentava mensalmente, somente da folha de pagamento, R$ 120 mil.Os outros R$ 88 mil desviados são referentes ao Imposto de Renda descontado na fonte, que deveria ser devolvido à prefeitura. De acordo com o presidente da Câmara há um carimbo de depósito do Bradesco, banco em que o funcionário tem conta e com o qual a prefeitura não trabalha. "Passou batido também na prefeitura", disse Siqueira. Como ele, também a prefeitura confiava nos dados e nos documentos emitidos pelo chefe da Contabilidade. Segundo o presidente, durante a sindicância Martins foi intimado três vezes. Na primeira, mandou um irmão levar um atestado médico, na segunda disse que ia consultar um advogado, mas não informou nem mesmo o nome do profissional, e, na terceira, a mulher avisou que ele estava viajando. Siqueira disse que não foi possível encontrar documentos relativos ao período anterior a novembro de 2003. Pode ter sido apagado dos computadores. Mas ele acredita que, com a quebra de sigilo e pedidos formais de documentos aos bancos, será possível saber se houve mais desvios.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2006 | 17h31

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.