Câmara de SP tenta dar medalha Anchieta a Fernando Haddad

Título foi proposto pelo vereador Francisco Chagas (PT), um dos parlamentares que defendeu aliança com PSD

Diego Zanchetta - O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2012 | 14h40

Texto atualizado para correção de informações às 23h30.

SÃO PAULO - Uma semana após autorizar a Prefeitura a doar um terreno de R$ 20 milhões para o Instituto Lula, a Câmara Municipal de São Paulo coloca em votação, a partir das 15 horas desta quarta-feira, 2, um projeto que concede a medalha Anchieta ao pré-candidato do PT ao governo municipal, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad. Se for aprovada, a concessão do título será feita com sessão solene seguida de coquetel no Palácio Anchieta.

O projeto não tem acordo entre todas as 14 bancadas da Casa. O líder do PSDB, Floriano Pesaro, e Gilberto Natalini (PV) são contrários e prometem obstruir a votação. Na volta após o feriado, os vereadores só colocaram na pauta da sessão extraordinária nomeações de ruas e concessões de títulos. Há mais de um mês os parlamentares não conseguem acordo para votar projetos com mudanças urbanísticas ou em leis da cidade. As discussões no plenário se limitam quase sempre aos desdobramentos recentes nas campanhas dos candidatos José Serra (PSDB) e Haddad (PT).

O pré-candidato petista é nascido na cidade de São Paulo e, portanto, não poderia receber o título de Cidadão Paulistano como homenagem. A concessão da medalha Anchieta foi proposta pelo vereador Francisco Chagas (PT), um dos parlamentares petistas que defendeu a aliança com o PSD do prefeito Gilberto Kassab. Entre os 11 parlamentares da bancada do PT, Chagas sempre foi um dos mais próximos do prefeito e nunca obstruiu a votação de seus projetos polêmicos. A homenagem a Haddad também é uma tentativa de o parlamentar amenizar seu desgaste dentro do partido - Chagas não fez oposição alguma ao governo Kassab nos últimos quatro anos.

À frente do projeto que concede a honraria para Haddad, está a proposta de Agnaldo Timóteo (PR) que concede a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da Cidade para o apresentador da TV Record, Rodrigo Faro. Caso seja aprovado, as duas homenagens também serão entregues em sessão solene, com realização de coquetel no restaurante que funciona no subsolo do Palácio Anchieta. Campanha. Com os vereadores já em campanha nos seus redutos eleitorais, as sessões extraordinárias, realizadas duas vezes por semana, estão cada vez mais esvaziadas. Em contrapartida, os parlamentares têm intensificado a concessão de títulos e a realização de festas na sede do Palácio Anchieta. Nos primeiros 80 dias de trabalho deste ano, vereadores que vão tentar a reeleição em outubro realizaram 45 sessões solenes, a maior parte delas seguidas de coquetel, como mostrou reportagem do Estado há duas semanas. É mais que o dobro das 21 solenidades realizadas no mesmo período de 2011.

Quem paga a conta de bandejas de prata, certificados em pergaminho italiano e placas de homenagens distribuídas é o contribuinte paulistano. A presidência da Câmara defende a realização das sessões solenes e avalia que é comum a apresentação de projetos de honrarias no último ano de mandato, já que os 55 vereadores têm direito a apresentar oito concessões de títulos ou homenagens durante os quatro anos de mandato.

Os vereador que mais apresentou projeto de homenagens este ano foi Floriano Pesaro, com cinco, seguido por Eliseu Gabriel (PSB) e José Police Neto (PSD), com quatro cada.

"Em nota, o vereador Francisco Chagas disse que a homenagem oferecida ao ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, através da Medalha Anchieta, é em reconhecimento ao trabalho desenvolvido por ele na área da educação, em especial, pelo acesso dos jovens mais pobres à universidade. Somente na cidade de São Paulo foram 120 mil novos universitários que ingressaram através do Prouni. Até hoje, nunca houve nenhuma outra política de governo que porporcionasse tal oportunidade.

O vereador ainda afirmou que seu posicionamento nas votações na Câmara Municipal de São Paulo sempre seguiram as orientações da bancada do PT, em oposição ao governo Kassab".

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