Câmara de Ilhabela ouve envolvidos em fraude na Prefeitura

A Comissão Especial de Inquérito da Câmara de Ilhabela, no Litoral Norte Paulista, que investiga um suposto esquema de desvio de dinheiro dos cofres públicos da prefeitura, ouviu nesta quinta feira cinco pessoas que tiveram seus nomes envolvidos na fraude. Os depoimentos começaram às 14 horas porque a chefe da folha de pagamento, Laurentina Andrade Rinaldi (Tina) não compareceu. Depois de afastada do cargo, após a descoberta do esquema, ela teria saído da cidade e não foi localizada pelos vereadores para receber a convocação. De acordo com os vereadores que investigam a suposta fraude, o desvio pode ultrapassar R$1 milhão.Sob o olhar atento e a curiosidade de cerca de 300 pessoas, o primeiro a prestar os esclarecimentos à comissão, formada por cinco vereadores, foi o diretor de Recursos Humanos, Mário Sérgio de Jesus, que trabalha há 26 anos na prefeitura de Ilhabela, sendo sete anos neste cargo. Calmo ele respondeu a todas as perguntas dos parlamentares e não se importou com a reação da platéia ao dizer que não vai a banco e não tem o costume de tirar extrato bancário nem saber quanto dinheiro há em sua conta corrente."A única coisa que sei é que o dinheiro não dá para passar o mês. Fiz empréstimos que são descontados automaticamente e, pela folha de pagamento, eles estão sendo descontados". Segundo apuraram os vereadores, o salário de Mário é de R$ 3.500 e o valor apontado na relação bancária variava de R$3.500 a R$3.800, sem o desconto do empréstimo. O diretor afirmou que ficou sabendo da suposta fraude quando Tina foi afastada do cargo. "Fiquei surpreso. Depois não vi mais a Tina. Estou tranqüilo, não devo nada". Depois do interrogatório Mário falou do constrangimento de passar pelo depoimento e pela desconfiança das pessoas. "As pessoas dizem para minha mãe que serei preso. Não peguei nada de ninguém e faço questão de vir aqui, apesar do constrangimento, para esclarecer os fatos. Não tenho bens e nem posso pagar uma faculdade para meu filho". Em fevereiro, quando Mário estava de férias, a sobrinha do prefeito Manoel Marcos Ferreira, Priscila Ferreira Dias, admitida no início de 2005 para o cargo de confiança de diretora de modernização de RH, assinou a relação de pagamento enviada ao banco. A relação bancária é uma autorização dos valores que devem ser depositados. Segundo os vereadores, Priscila não poderia ter assinado, já que a responsabilidade era de Laurentina. Priscila era responsável pelas contratações de frentes de trabalho e estagiários e também teve empréstimos não descontados e salários a mais pagos em sua conta corrente. "Ela vai ser ouvida na semana que vem e sua situação é bastante complicada, assim como de Laurentina", disse o vereador José Roberto de Campos, relator da CPI. Já a folha de pagamento era feita exclusivamente por Tina.O primeiro depoimento durou cerca de uma hora. Na seqüência depuseram Adilson do Nascimento, Marcelo Luiz Moura e Kátia Cilene Pontes Silva cujas contas correntes do Banco do Brasil também recebiam valores mensais de R$1 mil a R$3 mil. Os três praticamente deram a mesma explicação para os depósitos: "que fizeram um favor de emprestar seus nomes para Laurentina, a pedido dela mesma". Nascimento disse que pela amizade que tinha com Tina emprestou seu nome para que ela abrisse uma conta corrente e nunca desconfiou que estava sendo "laranja".

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