Ayrton Vignola/AE - 23.08.2011
Ayrton Vignola/AE - 23.08.2011

Câmara de Campinas começa julgamento de impeachment de prefeito

Manifestantes acompanham sessão, que pode durar até dois dias; vereadores da oposição afirmam que Demétrio Vilagra (PT) não interrompeu esquema de corrupção da gestão passada

Tatiana Fávaro, especial para O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 11h20

CAMPINAS - A Comissão Processante (CP) da Câmara de Campinas começou na manhã desta terça-feira, 20, a sessão de julgamento do impeachment do prefeito Demétrio Vilagra (PT), acusado de envolvimento em suposto esquema de corrupção na Sanasa, a empresa municipal de saneamento. A sessão pode durar ao menos dois dias, já que os trâmites prevêem a leitura de 1.400 páginas do processo, tempo para manifestação de cada vereador na tribuna, duas horas de defesa para Vilagra e, então, a votação nominal do pedido de impeachment.

 

Em frente à Câmara, manifestantes chegaram ainda de madrugada para acompanhar a sessão. Alguns deles, com faixas e cartazes, pedem o impeachment de Vilagra. Na manhã desta terça, a sessão foi suspensa por 15 minutos logo após o início, às 9 horas, para os vereadores definirem, com o advogado do prefeito, Hélio Silveira, quais partes do processo seriam lidas.

 

Por volta de 9h40, o presidente do Legislativo, Pedro Serafim (PDT), comunicou que não havia acordo e a Presidência determinaria a leitura de 1.400 páginas, referentes exclusivamente a peças usadas na CP de Vilagra e depoimentos de testemunhas de defesa e acusação.

 

O vereador Josias Lech (PT) havia pedido a leitura do processo criminal sobre o qual a comissão baseou-se para dar andamento a seus trabalhos, o que resultaria na leitura de aproximadamente 6 mil páginas. "Haveria, nesse caso, uma impossibilidade humana de permanecermos em plenário por, digamos, coisa de dez dias", afirmou Serafim ao vereador petista. "Foi pedido pela defesa também a leitura da CP do ex-prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), o que daria a leitura de algo em torno de 30 mil páginas", afirmou Serafim.

O relatório final da CP, com 13 páginas, apontou quebra de decoro por parte de Vilagra.

 

Para os vereadores da comissão, o petista teve, nas vezes em que assumiu o cargo de prefeito no lugar de Hélio de Oliveira Santos, chance de interromper a ação do grupo apontado pela Promotoria como responsável pelo desvio de recursos e fraudes em licitações, mas não o teria feito. O advogado do prefeito disse que o parecer da Câmara não tem densidade e é parcial. Silveira pretende usar o tempo de defesa de Vilagra durante a sessão de julgamento.

 

O petista foi empossado no dia 23 de agosto, após a cassação de Hélio de Oliveira Santos. Vilagra e outras seis pessoas - entre elas a ex-primeira dama Rosely Nassim dos Santos - foram acusados formalmente pelo Ministério Público por supostos crimes de formação de quadrilha, desvio de recursos públicos e fraude em licitações. O petista teve por duas vezes a prisão decretada e em uma delas chegou a ser detido. As prisões foram revogadas.

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