Câmara de Campinas aprova comissão para investigar prefeito

Por unanimidade, vereadores votaram pela formação de Comissão Processante que, após 90 dias, colocará em votação o impeachement de Hélio de Oliveira Santos

Rose Mary de Souza, especial para O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2011 | 21h46

Os vereadores de Campinas aprovaram por unanimidade a formação de uma Comissão Processante para apurar as ações do prefeito Helio de Oliveira Santos (PDT), o Dr. Hélio, em sessão ordinária nesta segunda feira (23). Foram 33 votos pelo sim, quando seriam necessárias somente 17 assinaturas. A decisão surpreendeu até os vereadores da oposição, já que o prefeito dispunha de grande maioria como base aliada de seu governo. Após 90 dias de trabalhos, a Comissão Processante põe em votação o impeachement (afastamento) do prefeito Santos.

A votação da CP foi acompanhada por uma plenária com cerca de 600 pessoas dentro da Casa e outras mil pessoas do lado de fora. A cada voto favorável a platéia aplaudia e gritava. Foi pedido o reforço da Guarda Municipal e um telão para quem estava na rua. Boa parte dos presentes era composta por funcionários publicos que estão em greve há 12 dias. Eles pedem 15% de aumento e a administração propõe 7,3%.

O pedido de uma comissão processante foi proposta pelo vereador Artus Orsi (PSDB) tendo como base os acontecimentos que culminara no mandato de prisão temporária por cinco dias de 20 empresários e agentes publicos apontados pelo Ministério Publico por envolvimento em corrupção e fraudes em licitações em contratos de serviço de empresas terceirizadas na Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento).

No último dia 20, o Ministério Público e a Corregedoria da Policia Civil prenderam onze pessoas. Outras nove pessoas foram consideradas foragidas dentre elas o vice prefeito Demétrio Vilagra (PT) e os secretários municipais Carlos Henrique Pinto (segurança) e Francisco de Lagos (comunicações). A primeira dama e chefe do gabinete, Rosely Nassim Jorge Santos, também investigada pelo MP, obteve um habeas corpus preventivo.

A defesa dos acusados denunciam "terrorismo judicial" contra seus clientes. Segundo o advogado Augusto Arruda Botelho, "a ordem de prisão expedida na sexta-feira foi uma tentativa de desestabilizar as pessoas detidas e dificultar o trabalho dos advogados". No sábado, 22, nota assinada por partidos aliados da administração (PC do B, PDT, PT, PMDB, PSD, PPS, PTB, PRP e PSC) afirma que "não há vinculo do prefeito com as investigações".

Texto atualizado às 22h para atualização de informações

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