Câmara de Araçatuba vota aumento de gastos

Os 19 vereadores de Araçatuba, que ganham R$ 3 mil para participar de quatro reuniões por mês, cada uma com duração média de quatro horas, poderão ganhar mais R$ 1,5 mil para custear despesas de manutenção de gabinete. A nova verba está prevista em projeto de resolução da Mesa Diretora da Câmara e deve ser votado nesta terça-feira. Se o projeto for aprovado, cada vereador de Araçatuba passará a custar R$ 6 mil mensais aos contribuintes. Isso porque, além do salário, eles já contam com assessor parlamentar que tem remuneração no mesmo valor da verba de gabinete prevista. Pelo menos quatro vereadores mantêm parentes como assessores parlamentares. A verba de gabinete, de acordo com o projeto apresentado pela Mesa Diretora da Câmara, poderá ser gasta com passagens, combustíveis, seguro e manutenção de veículos particulares dos vereadores. Despesas com refeições para autoridades em visita à cidade a convite dos vereadores também serão cobertas pela verba. Atualmente, cada gabinete já custa R$ 800,00, em média, por mês. O dinheiro sai dos cofres municipais e é gasto no pagamento de despesas realizadas pelos vereadores com telefonemas locais e interurbanos, envio de correspondência, fotocópias, materiais para computadores e outros materiais de escritório.Do próprio bolso, nem pensar A justificativa da Mesa Diretora da Câmara para criar a verba de gabinete é a de que "não se pode permitir que o vereador tire recursos do próprio bolso para exercer suas atribuições como homem público". Assinado pelo presidente José Carlos Sanches Hernandes (PFL), pelo vice-presidente Gilberto Mantovani (Prona) e pelos secretários Edval Antônio dos Santos (PRTB) e Antônio Edwaldo Costa (PDT), o projeto de resolução deve ser aprovado com folga, já que a oposição conta com apenas quatro votos. A proposta surge em um momento de grande desgaste da imagem da Câmara, causado por dois episódios: a recusa da maioria dos vereadores em investigar a retenção de R$ 1,3 milhão depositado pelo prefeito Jorge Maluly Netto (PFL) no Banco Interior, que foi liqüidado pelo Banco Central, e a denúncia de que o presidente da Câmara usa o carro oficial do Poder Legislativo em atividades particulares.

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