Câmara da Itália aprova moção que pede extradição de Battisti

Governo brasileiro concedeu status de refugiado político ao italiano ex-ativista em janeiro deste ano

da Redação

26 de fevereiro de 2009 | 17h54

A Câmara dos Deputados da Itália aprovou nesta quinta-feira, 26, por unanimidade uma moção que pede a intervenção do governo italiano para obter do Brasil a anulação do refúgio político concedido ao ex-ativista Cesare Battisti, o que impede a sua extradição. Segundo informações da Agência Ansa, os parlamentares criticaram também refúgio a outros acusados de terrorismo na Itália. Com o status de refugiado político, Cesare não pode ser extraditado.   Veja também:  Conheça os argumentos pró e contra a extradição de Battisti  Entenda a polêmica do caso Battisti    TV Estadão: Ideologia não influenciou concessão de refúgio, diz Tarso   Abaixo-assinado a favor do refúgio a Battisti  Leia tudo o que já foi publicado sobre o caso    O debate que precedeu a votação em plenário foi protagonizado pelos deputados do Partido Democrata (PD), de oposição, Giovanni Bachelet e Olga D'Antona, ambos familiares de vítimas de lutas políticas travadas no país.   "Infelizmente na França e no Brasil há uma ideia completamente errada do terrorismo italiano", ressaltou D'Antona, que pediu à França que extradite ex-militantes de esquerda que ainda estão no país, como Marina Petrella, ex-integrante das Brigadas Vermelhas.   Battisti foi preso preventivamente no Brasil, em abril de 2007, e segue detido na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, à espera da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o processo de extradição, após a concessão do refúgio pelo governo brasileiro, no dia 13 de janeiro. Dois dias depois, a defesa de Battisti entrou com uma petição no STF para que o tribunal autorizasse a saída do italiano da prisão.   O governo brasileiro concedeu status de refugiado político ao italiano Cesare Battisti em janeiro deste ano. A decisão provocou reações da Itália, que pediu a extradição do ex-ativista de esquerda acusado de quatro crimes no país.   A decisão, tomada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, fez com que a Itália chamasse de volta o seu embaixador no Brasil para consultas. Hoje, o ministro negou que haja uma "crise" entre os países.   Battisti é condenado à prisão perpétua pela Justiça de Milão por quatro "homicídios hediondos", contra um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofascista e um joalheiro.    

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