Reprodução/Twitter de Leticia Catelani
Reprodução/Twitter de Leticia Catelani

Câmara convida ex-Apex para explicar declaração sobre pressão por 'contratos espúrios'

Demitida da agência, ex-diretora Letícia Catelani disse que sofreu pressão do governo de Jair Bolsonaro e que 'paga o preço' por ter combatido a corrupção

Renato Onofre e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2019 | 12h13

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o convite para que ouvir explicações da ex-diretora da Agência de Promoção à Exportação (Apex) Letícia Catelani, exonerada do cargo na semana passada.

Os parlamentares querem que ela esclareça a afirmação de que seu afastamento está ligado ao fato de ela não ter aceitado pressões do governo de Jair Bolsonaro para a manutenção de "contratos espúrios". A data da audiência pública ainda será definida.

O requerimento foi apresentado pelos deputados Rubens Bueno (Cidadania-PR), Aécio Neves (PSDB-MG) e Arlindo Chinaglia (PT-SP). "Trata-se de uma denúncia grave que precisa de esclarecimentos. Queremos saber quem fez a pressão, quais são os contratos espúrios e a que se referem. Um caso como esse precisa ser esclarecido para que se investigue a existência de um possível esquema de tráfico de influência ou mesmo corrupção no órgão", afirmou Rubens Bueno.

Demitida pelo novo presidente da agência, o militar Sérgio Segóvia, Catelani escreveu no Twitter na semana passada sobre sua saíde. "Combati incansavelmente a corrupção e fechei as torneiras que a alimentavam. Estou pagando o preço. Sofri pressão de dentro do governo pela manutenção de contratos espúrios, além de ameaças e difamações. Não me intimidei!"

Ela e outro diretor, Márcio Coimbra, também demitido, são nomes que tinham sido indicados pelo chanceler Ernesto Araújo. Desde janeiro, a Apex se tornou um dos principais focos de embate entre “olavistas” - seguidores do escritor Olavo de Carvalho, como o chanceler - e militares, com embates, principalmente, entre Letícia e os dois últimos presidentes.

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