Câmara cassa prefeito de Ribeirão Bonito por improbidade

Rubens Gayoso Júnior (PT) disse que vai recorrer e afirmou que não renunciou pois seria uma "confissão"

Brás Henrique, Agência Estado

05 de março de 2008 | 13h56

O prefeito de Ribeirão Bonito, cidade de 12 mil habitantes na região de Ribeirão Preto, em São Paulo, foi cassado pela Câmara na sessão realizada na noite de terça-feira, 4, por seis votos a dois. Rubens Gayoso Júnior (PT) é acusado de improbidade administrativa por ter feito um contrato com jornal de São Carlos, no qual fazia propaganda pessoal e de sua administração supostamente pagas com dinheiro público. O vice-prefeito Antonio Gobato Veiga (PPS) será empossado nesta quarta-feira, 5.O prefeito cassado avisou que vai recorrer com um pedido de liminar na Justiça local ou na estadual. "Eles (vereadores) estavam propensos a me cassar, mas renunciar seria atestar uma confissão e não fiz nada de irregular", afirmou Gayoso Júnior, acreditando em intriga política.   Ele também disse que está colhendo os frutos por ter denunciado, em 2007, vereadores que queriam cobrar R$ 1 mil por mês para aprovar projetos na Câmara.O contrato com um jornal, firmado para publicar editais da prefeitura (por R$ 3.990 ao mês), foi objeto de investigação do Ministério Público Estadual (MPE) a partir da denúncia de integrantes da organização não-governamental (ONG) Amigos Associados de Ribeirão Bonito (Amarribo).   Quando não tinha edital, o jornal deveria publicar reportagens de interesse da comunidade, mas a ONG, criada em 1999 para monitorar a gestão pública e combater a corrupção, entendeu que era um meio de autopromoção do prefeito.   Mais duas investigações ainda tramitam no Legislativo, além de três ações civis públicas movidas pelo promotor Marcel Zanin Bombardi, pelas mesmas três denúncias - as outras duas são de licitações fraudulentas na coleta de lixo e na construção de uma escola.   "Foi feita a justiça e esse é o recado que a população dá aos maus políticos, que devem andar na linha ou serão cassados mesmo", afirma o diretor de comunicação da Amarribo, Pedro Sergio Ronco. Gayoso Júnior é o segundo prefeito afastado do poder a partir de denúncias da Amarribo. Em 2002, Antonio Sérgio Mello Buzzá, acusado de desviar cerca de R$ 1 milhão em seu primeiro ano de governo, renunciou ao cargo para tentar garantir os direitos políticos. Mas a Câmara continuou o processo e seus direitos políticos foram cassados.

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