Câmara cassa o presidente do PP, Pedro Corrêa

Depois de absolver o deputado federal Pedro Henry (PP-MT), o plenário da Câmara cassou na noite desta quarta-feira o presidente do PP, Pedro Corrêa, de Pernambuco, acusado de receber dinheiro das contas do empresário Marcos Valério, apontado como operador do esquema do mensalão. Foram 261 pela cassação (eram necessários 257), 166 votos pela absolvição, 19 abstenções e 5 votaram em branco.Ele é o terceiro deputado envolvido no escândalo a ser cassado. Os outros foram José Dirceu (PT-SP) e Roberto Jefferson (PTB-RJ). Corrêa ficará sem direitos políticos até 2015.Antes, à tarde, a Câmara absolvera o ex-líder do PP Pedro Henry (MT). Ele obteve a seu favor 255 votos, contra 176 pela cassação, 20 abstenções e dois brancos. Henry foi acusado por Jefferson de ser um dos operadores do mensalão. Mas nem as CPIs dos Correios e do Mensalão nem o Conselho de Ética conseguiram avançar nas investigações. Por falta de provas, recebeu absolvição no Conselho, confirmada pelo plenário.Pedro Corrêa e seu partido lutaram muito para evitar a cassação. Houve até ameaças, muitas. O deputado João Leão (PP-BA) avisou aos petistas que o PP não esperava deles outra coisa a não ser o voto a favor de Corrêa. "Caso contrário, não teremos como convencer nossos deputados a votar a favor de João Paulo Cunha (PT-SP)", disse Leão.Sem nenhum constrangimento, o ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC) foi para o plenário pedir votos a favor do presidente do PP. Ronivon foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) acreano sob acusação de compra de votos. A cassação foi confirmada pela presidência da Câmara há três meses. Também o ex-deputado e ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE) trabalhou muito para absolver Pedro Corrêa. Conversou pessoalmente e por telefone principalmente com parlamentares do chamado baixo clero, ainda fiéis a ele. Severino renunciou ao mandato no final do ano passado depois de ter sido acusado de cobrar propina do empresário de restaurantes Sebastião Buani. Assim, livrou-se do processo de cassação.Na noite de terça-feira o PL fez um jantar na casa de seu presidente, o ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP). Pedro Corrêa foi para lá e exigiu o voto por sua absolvição. Até adversários dele, como o deputado Almir Sá (PL-AP), prometeram que lhe dariam o voto de confiança. Costa Neto também renunciou ao mandato para fugir de processo de cassação.O relator do processo contra Pedro Corrêa, o tucano Carlos Sampaio (PSDB-SP), afirmou que o mensalão existiu. "Entendo que vossa excelência não recebeu mesadas, mas envolveu-se no mensalão por outros meios", disse Sampaio. "O seu envolvimento deu-se na forma como os partidos se relacionavam". Em seguida, Sampaio lembrou que o PT repassava dinheiro para o PP de Corrêa. Na sua defesa, o deputado Pedro Corrêa atacou os meios de comunicação. "Venho para ter uma conversa franca com meus colegas, conversa olho no olho, sem truques, sem artifício da retórica. Setores da mídia, implacáveis e vorazes, exigem a decapitação dos acusados. Não importa o processo, a falta de provas. De nada vale a biografia do acusado, seu caráter, sua própria vida", disse Corrêa.O caso CorrêaNo dia 22 de novembro de 2005, em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, o deputado Pedro Corrêa confirmou que toda a direção partidária do PP sabia que o partido recebeu os recursos financeiros. ?A situação dos três se complicou muito. O Pedro Corrêa falou claramente que o (deputado José) Janene, na condição de líder do PP, informou todo mundo?, disse o deputado Orlando Fantazzini (PSOL-SP), então relator do processo. Dos R$ 4,1 milhões recebidos pelo PP do caixa 2 operado por Valério, Corrêa admitiu a quantia de R$ 700 mil. Em outro episódio que agravou a situação dos parlamentares do PP, Corrêa enviou, na condição de presidente do PP, uma carta ao Conselho de Ética, na qual confirma que em três ocasiões o assessor de Janene, João Claudio Genu, buscou recursos no Banco Rural, em Brasília, e assinou os respectivos recibos, atendendo solicitação do PT ?na implementação dos auxílios financeiros negociados com aquele partido e o Partido Progressista?. O dinheiro, escreve Corrêa - um total de R$ 700 mil -, foi deixado na sede do PP.Em depoimento à Polícia Federal, no dia 29 de julho de 2005, Genu disse que fez várias retiradas nas contas de Valério, por ordem de Janene, do deputado Pedro Henry e de Pedro Corrêa. Os saques eram feitos pela diretora financeira da agência de publicidade SMPB, Simone Vasconcelos - da qual Valério é sócio - e entregues em mãos a Genu, na agência do Banco Rural, no Brasília Shopping, como informou a procuradora da República Raquel Branquinho, que acompanhou o depoimento do assessor. No dia 1 de fevereiro de 2006, o Conselho de Ética da Câmara aprovou, por 11 votos a 3, o pedido de cassação de Pedro Corrêa. Na ocasião, o deputado deixou a sala do conselho afirmando que ganhará a votação no plenário. ?Tenho certeza que o pensamento do plenário é diferente", disse ele.

Agencia Estado,

15 de março de 2006 | 22h53

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