Câmara aprova reajuste de até 46% a servidor do Senado

Com as galerias do plenário tomadas por servidores, a Câmara aprovou hoje o reajuste de até 46% nos salários dos funcionários do Senado, continuando o clima de festa e de euforia verificado nestes três meses antes das eleições e reforçado na noite de ontem, com a aprovação da proposta de emenda constitucional criando o piso salarial para os policiais militares, civis e integrantes do Corpo de Bombeiros. As duas sessões que aprovaram os projetos foram comandadas pelo candidato à vice-presidente da República na chapa da candidata petista, Dilma Rousseff, e presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Ele foi muito aplaudido pelos beneficiados das propostas.

DENISE MADUEÑO E RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

07 Julho 2010 | 19h55

O reajuste dos servidores do Senado contempla 6.630 servidores, 3.300 concursados, 1.300 nomeados sem concurso e 2.030 aposentados. No caso dos policiais, o piso será nacional e beneficiará todos os integrantes das carreiras. O projeto do Senado terá um impacto de R$ 217,7 milhões só neste ano e de quase meio bilhão no próximo ano: R$ 464 milhões.

Pela proposta, que segue para sanção do presidente da República, os auxiliares de segurança e os gráficos, um contingente formado por funcionários que exercem suas funções há cerca de 30 anos e com escolaridade no ensino fundamental, tiveram os aumentos maiores. Os salários em torno de R$ 9,4 mil vão saltar para R$ 13,7 mil, um reajuste de 46%.

Carreiras cuja exigência é o nível médio, como os técnicos de informática, o aumento foi de 27%. Os salários vão de R$ 10,7 mil para R$ 13,6 mil para o nível inicial, e de R$ 14 mil para R$ 16 mil para o final de carreira, com um índice de reajuste de 14%. A categoria de analista para a área de comunicação social, que exige formação de nível superior, teve reajuste porcentual menor que a dos auxiliares, mas os salários ficam maiores do que os dos deputados e dos senadores, de R$ 16.512,00. A faixa do nível inicial de carreira pulou de R$ 15,7 mil para R$ 18 mil, com 15% de reajuste, e a final, de R$ 17,2 mil para R$ 20,2 mil, 17%.

Em poucos minutos, os deputados incluíram o projeto na pauta e o aprovaram. A votação só não foi mais rápida porque o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) exigiu o cumprimento do regimento que obriga votação nominal, com o registro no painel eletrônico, para incluir a proposta em regime de urgência na pauta. "Esse é o maior exemplo do peso de segmentos dos servidores públicos, fazendo pressão sobre os deputados no processo decisório em Brasília", afirmou Madeira. Ele foi vaiado pelos servidores nas galerias quando pediu votação nominal e exigiu que houvesse quórum para votar o projeto.

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