Câmara aprova projeto alvo de lobby de Demóstenes e Cachoeira

Proposta permite o uso de genéricos na medicina veterinária foi tratato entre senador e contraventor em ligação interceptada pela PF; bicheiro é dono de laboratório farmacêutico

Eduardo Bresciani e Alana Rizzo

27 Junho 2012 | 10h01

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nessa terça-feira, 26, um projeto que foi alvo de lobby do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e do contraventor Carlinhos Cachoeira, conforme revela interceptação telefônica da Operação Monte Carlo da Polícia Federal. A proposta permite o uso de genéricos na medicina veterinária e dá preferência a esse tipo de produtos em compras governamentais. O texto segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff. Na gravação, Demóstenes diz ao contraventor tratar-se de um “negócio multimilionário”.

 

O assunto foi debatido em uma ligação de Demóstenes para Cachoeira no dia 1º de julho de 2011, quando o projeto já aguardava votação final na Câmara. Cachoeira é dono de um laboratório farmacêutico. “Fala professor. Eu queria falar procê (sic) sobre um negócio que vai acontecer aí no Brasil que eu acho que é uma grande oportunidade pra você e o pessoal do genérico, que é o medicamento veterinário genérico e também os insumos agrícolas e defensivos genéricos”, diz o senador.

 

Empolgado, Desmóstenes vislumbra a possibilidade de muitos ganhos financeiros para o contraventor. “Então, acho que tá na hora de vocês saltarem na frente, é um negócio multimilionário. Eu queria ver com você, com o Valterci e o Marcelo se vocês tão afim, para definir uma estratégia pra montar um grande polo em Goiás,né ? Acho que isso ai é, quem pular na frente vai levar, se não for Goiás vai ser Mato Grosso”.

 

Valterci e Marcelo citados na gravação seriam Valterci de Melo, diretor do Laboratório Teuto, e Marcelo Limírio, empresário ex-dono da Neo Química. Ambos são amigos de Cachoeira, que sugeriu a Demóstenes um encontro na casa de Limírio. “Vamos marcar já então pra domingo, pode ser? Marcar lá no Marcelo?”, sugere o contraventor. A conversa termina com Demóstenes pedindo para ser avisado da reunião.

 

A advogada de Cachoeira, Dora Cavalcanti, diz não ter como comentar “diálogos pontuais dissociados de um contexto”. Segundo Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado do senador, a conversa existiu, mas os empresários não investiram nessa área. Demóstenes responde a um processo de cassação no Senado por ter, supostamente, colocado seu mandato a serviço de Cachoeira.

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