Câmara aprova projeto alvo de lobby de Demóstenes

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou um projeto que foi alvo de lobby do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e do contraventor Carlinhos Cachoeira, conforme revela interceptação telefônica da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. A proposta permite o uso de genéricos na medicina veterinária e dá preferência a esse tipo de produto em compras governamentais. O texto segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff. Na gravação, Demóstenes diz ao contraventor tratar-se de um "negócio multimilionário".

EDUARDO BRESCIANI E ALANA RIZZO, Agência Estado

27 de junho de 2012 | 10h28

O assunto foi tratado em uma ligação de Demóstenes para Cachoeira no dia 1º de julho de 2011, quando o projeto já aguardava votação final na Câmara. Cachoeira é dono de um laboratório farmacêutico. "Fala professor. Eu queria falar procê (sic) sobre um negócio que vai acontecer aí no Brasil que eu acho que é uma grande oportunidade para você e o pessoal do genérico, que é o medicamento veterinário genérico e também os insumos agrícolas e defensivos genéricos", diz o senador.

Empolgado, Demóstenes vislumbra a possibilidade de muitos ganhos financeiros para o contraventor. "Então, acho que tá na hora de vocês saltarem na frente, é um negócio multimilionário. Eu queria ver com você, com o Valterci e o Marcelo se vocês estão a fim, para definir uma estratégia para montar um grande polo em Goiás, né? Acho que isso aí é, quem pular na frente vai levar, se não for Goiás vai ser Mato Grosso."

Valterci e Marcelo citados na gravação seriam Valterci de Melo, diretor do Laboratório Teuto, e Marcelo Limírio, empresário ex-dono da Neo Química. Ambos são amigos de Cachoeira, que sugeriu a Demóstenes um encontro na casa de Limírio. "Vamos marcar já então para domingo, pode ser? Marcar lá no Marcelo?", sugere o contraventor. A conversa termina com Demóstenes pedindo para ser avisado da reunião.

A advogada de Cachoeira, Dora Cavalcanti, diz não ter como comentar "diálogos pontuais dissociados de um contexto". Segundo Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado do senador, a conversa existiu, mas os empresários não investiram nessa área. Demóstenes responde a um processo de cassação no Senado por ter, supostamente, colocado seu mandato a serviço de Cachoeira.

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