Câmara aprova, em primeiro turno, fim da verticalização

Por 343 votos contra 143 e 1 abstenção, a Câmara aprovou na noite desta quarta-feira a proposta de emenda constitucional que dispensa os partidos de seguir nos Estados e municípios a coligação feita para a eleição presidencial, conhecida como verticalização. Foi o primeiro turno de votação da emenda, que agora, para entrar em vigor, terá de passar por mais uma votação na própria Câmara. Os deputados que se opunham à verticalização festejaram o resultado no plenário com gritos de euforia e chuva de papel picado. A aprovação da emenda representou uma derrota do PT, que luta contra a mudança da regra, numa atitude que contraria a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favorável à liberação das coligações estaduais.De tarde, antes da votação, ninguém se arriscava a fazer previsões sobre o resultado. A virada repentina do PFL do senador Antonio Carlos Magalhães (BA), que decidiu apoiar a regra da verticalização, surpreendeu a Câmara. Temeroso do isolamento do seu grupo na Bahia, dificultando a reeleição do governador Paulo Souto (PFL), ACM abriu uma dissidência dentro do PFL e passou o dia trabalhando contra a proposta de emenda constitucional que derruba a verticalização - regra pela qual as alianças partidárias nos Estados ficam limitadas ao modelo da coligação fechada para disputar a Presidência.Livres para compor as alianças nos Estados, PSDB, PFL, PDT e PT tenderiam a formar uma frente em torno de um único candidato ao governo baiano, para derrotar Souto. O alerta foi dado pelo próprio governador, em encontro com ACM, às vésperas da votação do projeto na Câmara. A proposta já passou no Senado.Líderes influentes do Senado entraram no corpo-a-corpo. Enquanto o senador José Sarney (PMDB-AP) procurava ACM, com apelos para que ao menos liberasse alguns dos 17 votos de seu grupo na Câmara, a senadora Roseana Sarney (PFL-MA) articulava no plenário da Câmara. Mas o partido mais empenhado em aprovar a proposta era o PMDB, que registrava à noite a presença de 78 de seus 80 deputados, prometendo 75 votos favoráveis.Com candidatos a governador em pelo menos 16 Estados, a maioria deles apoiada por partidos que deverão ser adversários do PMDB na eleição presidencial, os peemedebistas rejeitam qualquer restrição às alianças regionais.Informado de que cinco deputados acompanhariam o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PL), em uma viagem de trabalho, o líder do PL, Sandro Mabel (GO), não teve dúvidas. Telefonou para o ministro, pedindo que oferecesse carona aos parlamentares no avião do governo, para que eles pudessem participar da votação. Soube então que o ministro já tinha adiado a viagem. Motivo oficial: uma forte gripe.

Agencia Estado,

25 de janeiro de 2006 | 20h56

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