Câmara acerta votação da reforma política antes do recesso

A decisão foi surpresa, já que líderes haviam dito que votação ficaria para agosto

Luciana Nunes Leal, do Estadão

10 de julho de 2007 | 17h47

O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), anunciou depois de reunião com os líderes partidários, que está mantida para esta quarta-feira, 11, a votação do projeto de reforma política. Chinaglia tinha manifestado, na semana passada, contrariedade com a avaliação do conselho político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a reforma deveria ser deixada de lado. A votação da reforma fica acertada, então, para antes do recesso parlamentar, que vai do dia 18 a 31 de julho.A manutenção da votação é uma vitória do PT, PMDB, DEM e PC do B, partidos autores de uma emenda que pretende substituir o projeto do relator Ronaldo Caiado (DEM-GO), derrotado pelo plenário. Os próprios deputados que trabalharam na emenda, no entanto, reconhecem as dificuldades de aprovar mudanças como financiamento misto de campanha. Há um consenso de que, no máximo, será votada a proposta de fidelidade partidária. "Vamos salvar a fidelidade e derrotar o resto", disse o líder do PR, Luciano Castro (RR), que sempre foi contra as outras regras da reforma. "Votar não significa aprovar. Não queremos o sistema que está aí, mas açodamento não leva a nada", acrescentou o líder do PP, deputuado Mário Negromonte (BA). Um dos autores da emenda, Flávio Dino (PC do B-MA), no caminho contrário, está confiante na aprovação de alguns pontos. "Existe uma resistência à reforma política, mas é difusa e desorganizada. Isso pode ser um problema, mas também pode facilitar a aprovação. Se Deus quiser, vamos votar", afirmou o parlamentar do PC do B. Segundo os deputados Henrique Fontana (PT-RS), Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) e Flávio Dino (PCdo B-MA), líderes de seus partidos, a Câmara vota ainda nesta terça-feira duas medidas provisórias que trancam a pauta, e na quarta-feira prossegue a votação da reforma política. "A reforma política não tem prazo para terminar. É um tema amplo e que precisa ser votado", afirmou Henrique Fontana, justificando a decisão dos líderes. "Temos discordância no mérito, mas acordamos o procedimento, que é votar", completou o líder do PCdoB, Flávio Dino. LDOOs líderes acertaram também a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para quinta-feira. O texto principal foi aprovado semana passada, mas a Comissão Mista de Orçamento ainda tem 560 destaques para serem votados. O senador José Carlos Aleluia (DEM-BA) disse que dificilmente a LDO será votada, porque não acredita que Renan irá convocar a sessão. "Não haverá sessão, com ou sem Renan. Não podemos aprovar a LDO como se o Congresso vivesse uma normalidade", afirmou Aleluia.(Com Reuters)

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