Câmara absolve o 11º acusado de receber o mensalão

Na mais baixa presença de parlamentares em todos os processos de cassação, a Câmara absolveu hoje o 11º deputado suspeito de envolvimento com o esquema conhecido por mensalão. Desta vez quem se livrou foi Vadão Gomes (PP-SP), acusado pelo próprio Marcos Valério de ter recebido R$ 3,7 milhões do esquema de caixa 2. Os 425 deputados presentes confirmaram a sentença do Conselho de Ética, que absolveu Vadão Gomes. Foram 243 votos a favor da absolvição de Vadão, 161 pela condenação, 16 abstenções, 4 brancos e 1 nulo.Até agora, dos 15 deputados que foram processados pela Casa, apenas trêsforam punidos com a perda de mandato: Roberto Jefferson (PTB-RJ), JoséDirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE). Do chamado grupo dosmensaleiros, ainda falta ser julgado o deputado José Janene (PP-PR),além de Gomes.O primeirorelator do processo no Conselho de Ética, deputado Moroni Torgan(PFL-CE), apresentou dados de quebra de sigilo telefônico para pedir aperda de mandato de Gomes. Nas informações apresentadas pelo relator,Delúbio e Marcos Valério telefonaram a Vadão Gomes em datas anterioresaos dias nos quais o empresário afirma terem sido feitos os pagamentosao deputado.O relator sustentou que Delúbio ligava autorizando o pagamento dosrecursos e Marcos Valério executava o trabalho e, por telefone avisavaGomes da entrega do dinheiro. Segundo Moroni, as investigaçõesconfirmaram os depoimentos das duas testemunhas: Delúbio e MarcosValério. Vadão Gomes nega ter recebido dinheiro do esquema. Ele argumentou no processo que a denúncia contra ele tinha por basedepoimentos sem provas. Em sua defesa, o deputado citou o fato de oprocurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, não terrelacionado o seu nome na denúncia entregue ao Supremo Tribunal Federal(STF).Apesar da conclusão do relator pela cassação, o deputado do PP foi, noentanto, beneficiado pela mudança do perfil do colegiado, com a saídade cinco conselheiros, e o parecer de Torgan foi rejeitado. O processode Gomes chegou ao plenário com a sugestão de arquivamento, formalizadapelo segundo relator do processo, deputado Eduardo Valverde (PT-RO).No dia 31, o deputado José Janene deverá depor no Conselho de Éticada Câmara, depois de tentar com vários recursos que seu processo fosseinterrompido. O deputado alegou por diversas vezes não ter condições desaúde para depor no conselho. Janene pediu aposentadoria por invalidez.A aposentadoria foi negada por Rebelo até a conclusão do processo, deacordo com conclusão da Comissão de Constituição e Justiça da Casa(CCJ). Uma junta médica da Casa atestou que o deputado tem uma gravedoença no coração.Janene, que era líder do PP na Câmara quando o escândalo veio à tona,é acusado de ter sido beneficiado com o dinheiro do esquema. O assessordo parlamentar João Cláudio Genu teria sacado R$ 4,1 milhões das contasdo empresário Marcos Valério. O deputado admite saque de R$ 700 milpara o PP pagar as despesas do advogado do deputado Ronivon Santiago(PP-AC), cassado pela Justiça Eleitoral.

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