Calouros das federais podem iniciar estudos somente em 2003

A greve dos professores das universidades federais podereduzir o número de vagas no vestibular deste ano ou adiar para 2003 aentrada dos aprovados no câmpus. Quem passar no concurso, especialmentena área de licenciatura, só terá carteira para estudar com a saída dosalunos que deveriam se formar em dezembro. Se as aulas fossemreiniciadas amanhã, hipótese improvável, as universidades contariam comapenas 33 dias úteis até o final deste ano para completar o segundosemestre. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação exige que o períodotenha cem dias letivos.Nesta semana, o problema será analisado pelas comissões organizadorasdo vestibular de boa parte das universidades mantidas pelo governo. Nafederal de Santa Catarina (UFSC), o adiamento da formatura de 1.400alunos pode diminuir a oferta de 3.842 novas vagas estabelecida peloedital do vestibular, que acontece entre os dias 15 e 17 de dezembro."Se a greve prolongar ainda mais e o segundo semestre deixar deexistir, teremos de cancelar metade das vagas", afirma o reitorcatarinense Rodolfo Joaquim da Luz. "Não conseguiremos acertar ocalendário antes das férias de 2003."Rodolfo Joaquim da Luz ressalta que o problema é agravado pelo fato dea greve ocorrer na segunda metade do ano. Nas últimas três greves(1996, 1998 e 2000), a reposição de aulas foi feita durante o recessode julho. Ele condena a prática de repor aulas por meio de trabalhos."As aulas devem ser repostas de forma integral", diz Luz.Em Pernambuco, a comissão que executa os vestibulares das duasuniversidades federais do Estado (UFPE e UFRPE) se reúne nesta semanapara analisar alternativas à diminuição das 5 mil novas vagas. A Covestquer evitar enxurrada de processos na Justiça. Só na UFPE, mil alunosdeveriam se formar no próximo mês. Com o adiamento da entrega dodiploma, o reitor Mozart Ramos admite que uma parte dos estudantes quepassar no vestibular dos dias 25 e 26 deste mês terá aulas apenas em2003. "O que me preocupa é a situação dos novos alunos", diz Mozart."Os estudantes que passarem para o segundo semestre podem ficar um anoparados."Em situação melhor estão os candidatos a vagas nos cursos da áreamédica. Os 18 mil estudantes que vão prestar vestibular na UniversidadeFederal de São Paulo (Unifesp) não devem ter problemas para entrar emum dos cinco cursos da área de saúde oferecidos pela instituição. "Osalunos do último período praticamente não tiveram as atividadesinterrompidas", alega a pró-reitora de Graduação, Helena Nader. Essesestudantes estão fechando o curso com pesquisas e áreas de laboratório,longe das salas de aulas.O Ministério da Educação (MEC) afirma que as universidades têmautonomia para decidir sobre o vestibular. As instituições, porém,terão de apresentar um plano de reposição de aulas que não inviabilizeo semestre e o direito de quem passar pelo funil do vestibular.PagamentoRepresentantes do MEC começaram a avaliar uma novaproposta para acabar com a greve dos professores. O maior empecilho é afonte de recursos para fazer o reajuste salarial. As negociações entreo MEC e o Sindicato Nacional dos Docentes (Andes) se agravou com adecisão do líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), deimpedir o uso de verbas das emendas individuais dos parlamentares paraatender às reivindicações dos professores. O sindicato só aceitaconversar se o governo disponibilizar recurso extra de R$ 363,5 milhõesno próximo ano.Hoje, o Andes entrou com pedido no Superior Tribunal de Justiça(STJ) para desbloquear o pagamento de outubro. Na semana passada, oSupremo Tribunal Federal (STF) determinou ao MEC pagar o salário desetembro. O ministério, após consultar a meio Advocacia-Geral da União(AGU), decidiu não recorrer e liberou o pagamento de setembro. Opagamento de outubro continua retido.

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