Caixas eletrônicos vão continuar fechados à noite

Os caixas eletrônicos devem permanecer fechados entre 22 horas e 6 horas da manhã, mesmo com o fim do racionamento de energia anunciado nesta terça-feira. Alguns podem até ser fechados definitivamente, dependendo da localização. As duas propostas fazem parte de um esforço conjunto do governo e dos bancos para tentar reduzir o número de seqüestros relâmpagos, envolvendo saques em caixas 24 horas.O assunto, discutido nesta terça-feira entre representantes do setor financeiro com o ministro da Justiça, Aloísio Nunes Ferreira, será analisado nos próximos dias pela diretoria da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) e a previsão é que a decisão seja anunciada em duas semanas.Os representantes da Febraban foram chamados ao ministério para ouvir um apelo do ministro: "O momento é de ação". Por isso, ele pediu rapidez na adoção de alguma medida que possa ajudar a inibir esse tipo de crime. Em 1998, quando ocorreu uma onda de assaltos a caixas eletrônicos, os bancos restringiram a R$ 100 o valor do saque, no horário entre 22h e 6h."Isso ajudou muito na redução desses crimes. Com o racionamento, os caixas eletrônicos ficaram fechados entre 22h e 6h. Com a suspensão do racionamento, podemos mantê-los assim. Temos que avaliar isso", disse Duarte.Em alguns casos, a saída deve ser o fechamento definitivo ou a transferência do caixa para um local mais seguro. Os bancos pediram ajuda à Secretaria Nacional de Segurança para identificar os locais de maior incidência de seqüestros relâmpagos. "Nestes casos, poderemos propor o fechamento", afirmou o diretor da Febraban.Segundo ele, dos cerca de 130 mil equipamentos de auto-serviço que existem atualmente espalhados pelo País, a grande maioria, 120 mil, estão nas próprias agências ou nas chamadas ante-salas de atendimento. Outros 5 mil funcionam dentro de Postos Atendimento Bancários (PAB´s), localizados normalmente dentro de empresas.Existem ainda mais 5 mil espalhados em shoppings, aeroportos e supermercados. Apenas cerca de 500 caixas estão em vias públicas. Esses serão alvo de análise para possível fechamento definitivo. "É preciso saber se a localização favorece a fuga dos criminosos ou algo assim. Mas primeiro temos que identificar os pontos mais vulneráveis", ressaltou o diretor da Febraban.Além dessas medidas, os bancos se comprometeram a estudar melhoras para o sistema de senhas. A proposta do ministro de criar uma espécie de senha de coação, por meio da qual o sistema poderia identificar que o correntista está sendo vítima de um seqüestro relâmpago, não é bem vista pelos bancos. A avaliação é que isso poderia colocar em risco a vida do cliente, que está ameaçada numa situação como essa.O diretor da Febraban afirmou ainda que os bancos gastam cerca de R$ 2 bilhões por ano com segurança. Isso inclui, além dos equipamentos, câmeras e vigilantes, o transporte de valores. São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e o Distrito Federal foram os locais apontados na reunião com maior número de incidência desse tipo de crime.

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