Caixa pode ser obrigada a cortar despesas

O Tesouro Nacional vai exigir um programa de redução de custos antes de aprovar qualquer solução para cobrir o rombo de mais de R$ 11 bilhões na Caixa Econômica Federal (CEF). Segundo fontes do governo, a proposta para capitalização da instituição não está definida, mas incluirá um programa para diminuir as despesas operacionais do banco porque a avaliação feita pelo governo é de que esses esforços não têm sido implementados com a velocidade adequada, além de haver resistências na diretoria. Entre as despesas que serão alvo do programa de redução de custos devem estar pessoal, despesas administrativas, racionalização da rede de agências e de processos internos. "Quando o Tesouro capitalizou o Banco do Brasil, fez as mesmas exigências, e não há motivo para que o mesmo não aconteça com a Caixa, especialmente porque muito pouco foi feito lá", diz um integrante do primeiro escalão. Para se ter uma idéia de como os custos administrativos e de pessoal do banco estatal estão acima de outros grandes bancos privados nacionais, basta comparar esses gastos em relação à soma do resultado bruto e receitas de serviços, um conceito conhecido como "overhead ratio". No caso do Bradesco, a relação entre as despesas e os resultados em junho de 2000 foi de 63,6, de acordo com levantamento da consultoria Austin Asis, especializada na análise de instituições financeiras. O Itaú obteve um resultado de 64,5 e o Unibanco de 65,5. A Caixa, por sua vez, ficou com uma relação de 104,8. Ou seja, gasta mais com despesas do que seu resultado e as receitas com serviços. Dos quatro bancos, a Caixa foi o único que não reduziu suas despesas em relação às receitas entre 1999 e junho de 2000. O Bradesco, por exemplo, tinha um "overhead ratio" de 70,4 em dezembro de 1999 e conseguiu reduzi-lo para 63,6 em junho do ano passado.O Itaú caiu de 66,1 para 64,5 e o Unibanco de 69,4 para 65,5. A Caixa subiu de 85,8 para 104,8.

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