Marcos Corrêa/PR
Marcos Corrêa/PR

‘Caiam na real: governadores e prefeitos oferecem esmolas com dinheiro alheio’, diz presidente do BB

Rubem Novaes encaminhou mensagem via WhatsApp com vídeo postado pelo presidente Jair Bolsonaro

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2020 | 11h48
Atualizado 02 de abril de 2020 | 19h03

BRASÍLIA – O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, encaminhou na manhã desta quinta-feira, 2, via WhatsApp, a mensagem: “Caiam na real” acompanhada do vídeo postado pelo presidente Jair Bolsonaro com o apelo de uma apoiadora pela reabertura do comércio no País, em meio à pandemia do novo coronavírus

“Pode ter certeza que a senhora fala por milhões de pessoas”, respondeu o presidente à mulher, que o aguardava em frente ao Palácio da Alvorada, residência oficial, acompanhada dos dois filhos. Além da retomada dos serviços, ela também solicitou a presença do Exército nas ruas. A mulher se identificou como professora da rede privada e mãe de família. “Não quero dinheiro do governo, eu quero trabalho”, disse ela. 

Ao ser questionado pela reportagem do Estado sobre o vídeo, o presidente do BB disse que “governadores e prefeitos impedem a atividade econômica e oferecem esmolas, com o dinheiro alheio, em troca”. “Esmolas atenuam o problema, mas não o resolvem. E pessoas querem viver de seu esforço próprio”, disse.

Segundo Novaes, depois que se monta um “grande Estado assistencialista”, fica difícil desmontá-lo.“Crises instigam os piores instintos intervencionistas e estatizantes. Não podemos deixar que esta crise médica, por mais séria que seja, destrua as bases de nossa sociedade”, ressaltou.

Maia: ‘Presidente do BB tem de tratar de liquidez e não sobre isolamento vertical’”

A postura gerou reação por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), que aproveitou uma videoconferência, pela manhã, organizada pelo Santander, para criticar a atitude. “O presidente do Banco do Brasil tem de tratar de liquidez e não sobre isolamento vertical”, disse Maia, na ocasião.

A réplica de Novais ocorreu na sequência. “Quanto ao Presidente da Câmara, entendo que não deve ter entre suas preocupações principais a desestabilização de um governo eleito com expressiva maioria de votos”, respondeu ele, ao Estadão/Broadcast, citando as ações que o BB tem feito para garantir liquidez no sistema, com a rolagem de R$ 60 bilhões em dívidas. “O desejo de viabilização de uma candidatura do Centrão não se pode sobrepor à estabilidade institucional”, acrescentou.

Maia afirmou ainda, conforme noticiou o Valor Pro, que o presidente do BB era um “incompetente” e que o “único caminho” para se manter no comando do banco era “agradar o chefe”, ou seja, o presidente Bolsonaro.

Novaes, então, rebateu novamente Maia e afirmou que não é apegado ao cargo e manteve o tom do “bate boca” ao mencionar o time de futebol de cada um. “O RM (Rodrigo Maia) deu uma declaração dizendo que digo o que digo para agradar ao (presidente Jair) Bolsonaro e me manter no cargo. Resposta: O Rodrigo não me conhece. Meu apego ao cargo é zero. Nossa diferença é que eu sou Fluminense e ele é Botafogo”, afirmou Novaes. Botafogo é o time do presidente da Câmara e foi também o apelido atribuído a ele nas planilhas da Odebrecht, na Operação Lava Jato.  O debate à distância dos dois começou pela manhã após Novaes enviar um vídeo postado por Bolsonaro. 

Guedes diz que há ‘recursos’ para pessoas em dificuldade financeira

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na terça-feira, 31, que as pessoas que enfrentam “dificuldade” financeira para se manterem em isolamento podem obedecer às recomendações do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta porque há recursos sendo mobilizados para isso. “É uma quantidade formidável de recursos. Amparo formidável à sociedade. E podemos avançar mais”, disse. A declaração foi dada durante entrevista no Palácio do Planalto, onde também estava os ministros Mandetta, Sérgio Moro (Justiça) e Braga Netto (Casa Civil).

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), declarou que os governadores do Sul e Sudeste devem encaminhar uma carta ao governo federal solicitando “ações urgentes” para “evitar o colapso econômico dos Estados” causada pela pandemia do novo coronavírus

O governo já divulgou o auxílio emergencial dado a trabalhadores informais, com impacto de R$ 98 bilhões aos cofres públicos. O programa para a manutenção de empregos com carteira assinada durante a crise custará outros R$ 51,2 bilhões em compensações aos trabalhadores. O Brasil, seguindo exemplo de outros países do mundo, ampliou a rede de proteção a famílias e empresas como resposta às consequências da pandemia da covid-19.

Desde a semana passada, quando convocou cadeia nacional de rádio e TV para defender o fim do confinamento em massa, Bolsonaro tem feito críticas a medidas adotadas por governadores e prefeitos para conter o avanço do novo coronavírus, como o fechamento de escolas, shoppings e lojas.

As restrições seguem orientações de organismos de saúde, como a Organização Mundial de Saúde, que aponta o isolamento social como o método mais eficaz de se evitar a propagação da doença, que já causou 37 mil mortes em todo o mundo e 241 no Brasil até quarta, 1. /COLABOROU ALINE BRONZATI 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.