Cai número de negros no mercado de trabalho em SP

Os trabalhadores negros perderam 6,9% dos postos de trabalho na região metropolitana de São Paulo de 1995 até o ano passado. No mesmo período, o volume de vagas abertas na região foi de 4,4%. De 1995 a 2000, as mulheres negras registraram aumento da participação no mercado de trabalho pouco expressiva (0,03%); as não-negras, de 18,5%; e os homens não-negros, de 5,7%.Os dados foram apresentados esta manhã pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), que define como negra a população com pele preta ou parda, e como não-negra as pessoas brancas e amarelas. Trata-se de um levantamento patrocinado pela Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional (Cida) e que será apresentado durante a III Conferência Mundial contra o racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que será realizada em Durban, África do Sul, de sexta-feira até 7 de setembro.As diferenças de inserção entre as mulheres negras e não-negras, segundo o estudo, evidenciam-se em especial para as ocupadas nos serviços domésticos. Entre as negras, 30,8% são domésticas, ao passo que, entre as não-negras, esta parcela é de 14%. "Em contrapartida, observa-se maior participação de não-negras entre as assalariadas nos setores público e privado", ressalta Paula Montagner, técnica da Fundação Seade.Ainda segundo o estudo, entre os homens, apenas 2,7% dos ocupados negros eram empregadores. Entre os não-negros, esta parcela era de 8,2%. Do total de ocupados negros, apenas 5,7% eram assalariados no setor público, enquanto que entre os não-negros, este percentual era de 6,4%. "Por sua vez, a parcela de negros como autônomos (25,6%) é maior que a verificada entre os não-negros", salienta Paula.O levantamento revela ainda que 4,3% das trabalhadoras negras ocupam postos de direção, gerenciamento ou planejamento, enquanto para as não-negras este percentual atinge 16,6%. Já os postos de execução são ocupados em sua maioria por mulheres negras (58%) e 46,6% das não-negras.Entre os homens, verifica-se a mesma situação: apenas 4,9% dos negros ocupavam postos de direção, gerência ou planejamento, contra 20,5% de não-negros. "De um modo geral, verificamos que, se a luta da mulher por seu posto de trabalho é difícil, a da negra é pior ainda", considera Paula.

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