Cai chefe de gabinete do MEC

Cercado de denúncias de deslizes éticos no Conselho Nacional de Educação (CNE) e no governo, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, destituiu do cargo o seu chefe de gabinete, Edson Machado, braço direito na condução da burocracia ministerial desde 1995.A decisão foi tomada após a publicação de reportagens pela revista Veja, mostrando que a mulher de Edson, Eda Machado, é proprietária do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), autorizada pelo MEC em 1998.Oficialmente, no entanto, a versão divulgada é a de que Edson Machado pediu para sair. Ele fez isso nesta quarta-feira, em conversa com o ministro, que já havia anunciado na véspera a decisão de demitir o subordinado.Segundo Paulo Renato, os dois haviam conversado sobre o assunto, e a permanência de Machado poderia "causar constrangimento ao ministério". "Ele está constrangido e me informou que pretende se afastar da chefia de gabinete", declarou o ministro."Graças à nossa imprensa, minha posição aqui está prejudicando minha mulher e o ministro", disse Machado, convencido de que as acusações tentam atingir Paulo Renato - pré-candidato a presidente ou senador nas eleições de 2002. "Nunca movi uma palha para favorecer minha mulher."A demissão ocorre no momento em que o CNE - órgão responsável, com o ministério, pela autorização de novos cursos - está sob fogo cerrado.A revista revelou que os conselheiros Yugo Okida, vice-reitor e sócio minoritário da Universidade Paulista (Unip), e Lauro Zimmer, ex-reitor e funcionário da Universidade Estácio de Sá, relataram e foram favoráveis a autorizações em benefício de instituições cujos donos são ligados às duas universidades.Já o conselheiro Carlos Alberto Serpa, presidente da Fundação Cesgranrio, que aplica o Exame Nacional de Cursos (Provão), presta serviços a sete instituições particulares.Os três conselheiros se defendem. Okida informou ter rejeitado 11 dos 21 processos relativos a instituições de professores do Colégio Objetivo, do grupo da Unip. Disse ainda que acatou a orientação técnica do MEC e só relatou os casos por não saber que tratavam de projetos de funcionários do Objetivo.Zimmer também argumentou que seguiu a recomendação do ministério em dois processos. Serpa afirmou que a assessoria prestada pela Cesgranrio faz parte de projeto de avaliação de gestão não-acadêmica e as instituições apenas pagam os custos do serviço.

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