Cai a mortalidade infantil no Brasil

O número de crianças que morrerão, neste ano, no Brasil, antes de completar um ano de idade, deverá ser de 32,7 para cada mil nascidos vivos.A previsão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi divulgada pela coordenadora da saúde da criança no Ministério da Saúde, Ana Gorete Kalume Maranhão.Essa taxa nacional reafirma a tendência de redução da mortalidade infantil no País, que na última década caiu 30,6%. A expectativa é que essa redução chegue a 32,4%, se o período de comparação incluir as estimativas para este ano. Esse porcentual de redução significa que se evitou a morte de mais de 320 mil crianças. Apesar de a taxa nacional ser animadora, a mortalidade no Nordeste ainda é muito elevada: no ano passado, ocorreram 52,3 mortes a cada mil nascidos vivos, um índice superior inclusive à taxa média nacional registrada em 1990, que era de 48,4.Segundo estimativas do IBGE para este ano, a taxa do Nordeste sofrerá uma pequena redução, mas ainda alcançará 51,8 casos. A mortalidade no Nordeste está à frente das demais regiões. A que mais se aproxima é a Norte, com 32,6 mortes a cada mil nascidos vivos. A diferença aumenta quando se compara a taxa nordestina com a do Centro-Oeste, que deverá registrar 23,5 mortes por mil nascidos vivos.No Sudeste, a estimativa é 23,8; e no Sul apenas 20. Ana Gorete informa que as áreas rurais registram o dobro de mortes de crianças das áreas urbanas. "Estes contrastes traduzem desigualdades sociais e econômicas existentes que restringem o acesso de certa parte da população aos serviços de saneamento básico, educação e estrutura médico-hospitalar", analisa. Segundo a coordenadora da saúde da criança, 60% das causas da morte de menores de um ano são decorrentes de problemas congênitos, durante a gestação, no parto (falta de oxigenação) ou infecções.Outros fatores importantes são diarréia, pneumonia e desnutrição. A região Nordeste concentra mais da metade dos casos de desnutrição no País.Por isso, as crianças nordestinas vêm recebendo complementação alimentar com ferro, vitamina A e iodo.A redução na taxa geral da mortalidade no País em parte pode ser justificada pela queda da fecundidade, analisa Ana Gorete. Segundo ela, em 15 anos o número de filhos por mulher caiu de 4,1 para 2,5. Mas a coordenadora da saúde da criança atribui os progressos alcançados na redução da mortalidade infantil às intervenções governamentais, como a contratação de 150 mil agentes comunitários, incentivo ao aleitamento materno, as campanhas de imunização, a terapia de reidratação oral e combate à desnutrição. Ela lembra que o governo também vem humanizando os partos e melhorando a qualidade da assistência pré-natal, projeto que recebeu uma injeção adicional de R$ 540 milhões.Hospitais recebem R$ 90,00 a mais para cada parto que realizam. Às mulheres grávidas são garantidas pelo menos três consultas durante a gestação. O programa nacional de imunizações já é realizado no País há 28 anos. Nas campanhas que atendem a elevados números de crianças são distribuídas doses de vacinas contra tétano, sarampo, coqueluche, hepatite e poliomelite."Há mais de dez anos não se registra nenhum caso de poliomelite no País", comemora a coordenadora Ana Gorete.

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