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Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Cobrado pela CPI, Bolsonaro se nega a explicar denúncias

Cúpula da comissão envia carta com pedido de manifestação do presidente, que, em transmissão, diz que não vai responder: ‘Caguei’

Amanda Pupo, Daniel Weterman, Matheus de Souza, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2021 | 19h56

A cúpula da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid enviou nesta quinta-feira, 8, uma carta ao presidente Jair Bolsonaro, cobrando dele que se manifeste sobre as denúncias apresentadas pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF). Em depoimento à CPI, há duas semanas, Miranda disse ter avisado Bolsonaro, em 20 de março, de um esquema de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin. Na ocasião, o deputado também afirmou que o presidente atribuiu as irregularidades a um “rolo” do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR).

Bolsonaro se tornou alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por causa dessa denúncia – feita antes pelo servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Fernandes Miranda, irmão do deputado –, sob suspeita de ter se omitido e cometido o crime de prevaricação. Na carta, os senadores Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI; Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente; e Renan Calheiros (MDB-AL), relator, dizem ter tomado a iniciativa de pedir ao chefe do Executivo, “de maneira formal”, que se manifeste sobre as “graves acusações” porque, após 13 dias das declarações de Miranda, impera o silêncio no Palácio do Planalto.

“Caguei. Caguei para a CPI. Não vou responder nada”, disse Bolsonaro, na noite de quinta-feira, em transmissão ao vivo pelas redes sociais. “Não tenho paciência para ficar ouvindo patifes acusando o governo. Como a gente desmonta essa CPI de picaretas, sete picaretas?”, completou, numa referência ao grupo composto por senadores independentes e de oposição, conhecido como “G-7”.

No documento, Aziz, Renan e Randolfe – a quem Bolsonaro chama de “saltitante” – afirmam que o seu silêncio contribui para a “execração” do deputado Ricardo Barros, ex-ministro da Saúde e um dos expoentes do Centrão. “Somente Vossa Excelência pode retirar o peso terrível desta suspeição tão grave dos ombros deste experimentado político, o deputado Ricardo Barros, o qual serve seu governo em uma função proeminente”, escreveram.

Barros tem dito que quer ir “o quanto antes” à CPI e chegou a entrar com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF). Os senadores da comissão estão coletando mais provas antes de marcar o depoimento dele. “A CPI sequestrou a minha honra”, disse Barros. Bolsonaro trata o assunto com cautela porque o líder do governo na Câmara foi indicado para o cargo pelo presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), um dos líderes do Centrão.

A carta foi protocolada no Palácio do Planalto por um funcionário do Senado. “Rogamos a Vossa Excelência que se posicione, de maneira clara, cristalina, republicana e institucional, inspirando-se no Salmo tantas vezes citado em suas declarações, em jornadas pelo país: ‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’”, insistiram os senadores no documento.

Um dia depois de Aziz ter mandado prender o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, sob acusação de falso testemunho, a temperatura política em Brasília continuou alta e a tensão tomou conta da Praça dos Três Poderes. Dias foi solto ainda na noite de quarta-feira, após pagar fiança de R$ 1.100, mas a CPI está atrás de um dossiê feito por ele com novas denúncias sobre irregularidades no Ministério da Saúde.

Politização

Ao depor nesta quinta-feira à CPI, a ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Francieli Fantinato, disse não ter contado com o apoio de Bolsonaro para divulgar a importância da vacinação durante a pandemia. Francieli afirmou que pediu para sair por causa da “politização” do assunto, promovida pelo presidente. “Quando a gente tem ciência, quando a gente tem segurança no produto que está usando, quando os resultados apontam de forma favorável que aquilo pode trazer um resultado para a população, ter uma politização do assunto, por meio do líder da Nação, traz elementos que muitas vezes colocam em dúvida”, disse. 

Ainda nesta quinta-feira, em conversa com apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro acusou o presidente da CPI de ter desviado R$ 260 milhões da Saúde, quando era governador do Amazonas. Aziz o desafiou a procurar um processo em que fosse réu ou denunciado.

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