Café da manhã salva viagem de Lula à Guiana

As sessões da 19ª cúpula de chefes de Estado e de governo do Grupo do Rio começaram neste sábado, 3, com uma reunião entre os presidentes de Brasil, México e Chile.Lula, o mexicano Felipe Calderón e a chilena Michelle Bachelet, interlocutores influentes da diplomacia do continente, tomaram café da manhã juntos. O encontro salvou a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Guiana, único país de língua inglesa da América do Sul. O Grupo do Rio, organismo formado por 20 países da América Latina, não tem função prática há mais de uma década.A conversa foi comemorada por diplomatas do Itamaraty, que não escondiam o desconforto em justificar a reunião do Grupo do Rio. Na noite de sexta-feira, antes de um show de grupos folclóricos, o presidente brasileiro já havia conversado com a colega chilena.Os dois assistiram a apresentação de um animado grupo indígena que apresentou a "dança da gatinha". "Vem comigo, que eu vou te ensinar/a dança da gatinha/ e bate palma/solta o grito", dizia a música em português.O Itamaraty não havia divulgado até as 11 horas (12 horas em Brasília) o teor da conversa de Lula com Bachelet e Calderón ou íntegra da declaração que os presidentes assinariam. O encontro minimizou a repercussão negativa das ausências do argentino Néstor Kirchner e do venezuelano Hugo Chávez. Desde os preparativos da reunião do Grupo do Rio, Kirchner já avisara que mandaria um representante. Chávez, porém, só anunciou que não viajaria para a Guiana na última hora. Ausência de ChávezEquipes da segurança presidencial e jornalistas da imprensa oficial da Venezuela chegaram a se deslocar para Georgetown. A delegação venezuelana não informou o motivo da ausência do presidente. Lula só decidiu ir para a Guiana justamente pela oportunidade de tirar de Chávez os holofotes.Nos últimos tempos, Chávez passou a injetar até dinheiro em países vizinhos para se firmar como líder político na América Latina. A ambição dele se choca com os interesses do presidente Lula, que tenta se colocar como principal interlocutor, na região, de países desenvolvidos, especialmente dos Estados Unidos. Sem Chávez e outros nomes da esquerda radical, como o boliviano Evo Morales, a reunião do Grupo do Rio foi marcada pela presença da direita (Calderón) e dos moderados (Lula e Bachelet).Também participaram da reunião de ontem chefes de Estado da Guiana (país anfitrião), Honduras, República Dominicana, Belize, Nicarágua e Panamá. Diplomatas brasileiros anteciparam que o grupo iria incluir no documento a cobrança de ajuda financeira dos países ricos ao Haiti e destacar a importância da produção de combustíveis renováveis para o desenvolvimento econômico das nações pobres.

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