Cadeiras vazias, a tônica das duas CPIs da Petrobrás

Tanto comissão só do Senado como a mista apresentam longas listas de ausentes; aliados do governo e até opositores estão entre os faltosos

DÉBORA ÁLVARES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2014 | 02h07

A lista de faltas dos parlamentares que fazem parte das duas CPIs abertas no Congresso para investigar denúncias de irregularidades na Petrobrás - uma só do Senado e outra com parlamentares das duas Casas - reforça o ceticismo de quem duvida da efetividade dessas apurações. Oito dos 13 senadores titulares da comissão exclusiva faltaram a pelo menos uma reunião. Na CPI mista, mais da metade (18 de 32 titulares) deixou de comparecer a pelo menos um encontro.

Essa falta de assiduidade se reflete principalmente entre os partidos da base do governo Dilma Rousseff, que aproveitam para levar às CPIs o descontentamento com o Palácio do Planalto. As ausências não chegam a colocar o governo em desvantagem numérica, mas começam a preocupar petistas, que criticam a "falta de empenho" dos aliados.

"É incompreensível. Do ponto de vista das denúncias que estão sendo apuradas, várias atingem pessoas com relações com o PMDB, mas não quero crer que essas ausências sejam uma deliberação política", diz o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). Para ele, o esvaziamento deve estar ligado à época de convenções partidárias e à pré-campanha.

Presidente das duas comissões, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) acredita que o "desinteresse" seria explicado pela apuração das denúncias por órgãos de controle, como Polícia Federal, Ministério Público e Tribunal de Contas da União. "Embora ausentes, os parlamentares estão acompanhando a CPI e sabem escolher os momentos em que suas presenças são indispensáveis."

Não faltam parlamentares que relacionem as ausências aos conflitos entre Congresso e Planalto. Dos 10 aliados que integram a CPI exclusiva do Senado, só três estiveram nas oito reuniões já realizadas. Duas figuras são presenças praticamente obrigatórias em função do cargo: o presidente e o relator, José Pimentel (PT-CE). Além da dupla, Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) tem sido assídua. Humberto Costa faltou a apenas um encontro, por motivos pessoais.

A oposição esvaziou deliberadamente a comissão do Senado, por defender que apenas a CPI mista investigue as denúncias sobre a Petrobrás, como o prejuízo na compra da refinaria de Pasadena (EUA) e o aumento de custos na construção de Abreu e Lima, em Pernambuco. Dois dos três senadores de oposição não assumiram suas vagas - único a participar da CPI, o tucano Cyro Miranda (GO) foi só às duas primeiras reuniões.

Mas nem na CPI mista, exigência dos opositores e do pré-candidato do PSDB ao Planalto, senador Aécio Neves (MG), a frequência é alta. O senador Jayme Campos (DEM-MT), por exemplo, só apareceu em uma das quatro reuniões da comissão. O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) foi só a metade das sessões, assim como Júlio Delgado (MG), cujo PSB deixou oficialmente o governo em setembro do ano passado motivado pelo projeto presidencial do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

"Ocorre que parte das reuniões foi no mesmo momento do Conselho de Ética. Eu faço parte da CPI mista e do Conselho de Ética e duas das reuniões aconteceram no mesmo momento. Não é por falta de importância da CPI", diz Delgado.

Campeão. O senador Sérgio Petecão (PSD-AC), que, apesar de integrar oficialmente a base de Dilma, faz oposição ao governo em seu Estado, nunca apareceu na CPI mista. "A verdade é que estou desestimulado a ir. A maioria é governista, a investigação não vai dar em nada", afirma. "Legitimar isso é muito ruim."

Dos 18 faltosos da CPI mista, 12 são de partidos da base aliada de Dilma, apesar de alguns, como Petecão, não serem alinhados ao governo.

O presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), faltou a cinco de oito reuniões da CPI do Senado, e a três de quatro sessões da mista. "Quando precisarem do meu voto, vou lá e ajudo", disse, referindo-se a requerimentos que podem apresentar risco ao governo.

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