André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Cada um interpreta manifestações de acordo com suas convicções, responde Cardozo a Cunha

Ministro da Justiça rebateu fala de presidente da Câmara de que protestos de domingo não pedia reforma política e lembrou que até políticos da oposição foram vaiados nos atos

Rafael Moraes Moura e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2015 | 14h58

Brasília - Em resposta às declarações do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sobre as manifestações do último domingo, 15, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta segunda-feira, 16, que cada um "ouve as vozes das ruas" e as interpretam de "acordo com as suas convicções".

Nesta segunda, Cunha disse que não viu "ninguém nas ruas pedir reforma política", e sim "reforma de governo". Sobre a proposta apresentada pelo Palácio do Planalto de um pacote anticorrupção, Cunha ironizou, ao lembrar que há dois anos escuta o governo dizer que vai mandar as medidas para o Congresso.

"Evidentemente as pessoas ouvem as vozes das ruas e (as) interpretam de acordo com as suas convicções. A coordenação de governo, hoje, refletindo sobre aquilo que ouviu dessas manifestações, tem a avaliação de que há um questionamento, às vezes explícito - eu vi vários cartazes 'reforma política' na manifestação ou nas manifestações de sexta e de ontem - e me parece que há um desconforto da população com o nosso sistema político, embora nem todos verbalizem dessa maneira", comentou Cardozo, durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.

"Eu sinto isso, por exemplo, quando nas manifestações líderes oposicionistas foram impedidos de falar, ou seja, há um desconforto com a política. Temos de refletir sobre isso. Há um desconforto dos brasileiros com os políticos e a política", prosseguiu o titular da Justiça.


De acordo com o ministro, que participou de reunião de coordenação com a presidente Dilma Rousseff e outros nove ministros no Palácio do Planalto, o sistema político brasileiro não permite que o cidadão se "sinta representado".

"Há quanto tempo se fala em reforma política no Brasil? Qual o receio de discutirmos e ouvirmos a sociedade sobre isso? É claro que cada um lerá e eu respeito quem não lê dessa forma o movimento das ruas. Se o presidente da Câmara não leu dessa maneira, é um direito dele", rebateu Cardozo.

"Nós estamos lendo dessa maneira, nos parece que há um desconforto da sociedade brasileira com os políticos e não é individualmente apenas, contra político A, B, C, D ou E, é com um sistema político que precisa ser repensado e objeto de reflexão."

Caminho. Na avaliação do petista, o governo Dilma Rousseff percorreu um "caminho correto" ao evitar que a crise econômica chegasse aos brasileiros e adotar um conjunto de medidas anticíclicas. Questionado sobre uma eventual reforma ministerial, Cardozo respondeu: "Isso não foi discutido hoje na reunião". 

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