Caciques são presos por facilitar garimpagem ilegal

Quatro caciques do grupo indígena Cinta-Larga foram presos pela Polícia Federal em Rondônia durante operação para a retirada de garimpeiros da Reserva Indígena Roosevelt, que está sendo realizada na área desde o dia 20 de março. Liberados na madrugada de hoje, os índios são acusados de facilitação de garimpagem ilegal, contrabando de diamantes e crimes contra o meio ambiente na divisa do Mato Grosso com Rondônia. No mês passado, a PF prendeu em Rondônia um israelense e dois brasileiros acusados de integrar uma quadrilha internacional de contrabando de diamantes.Segundo o superintendente da PF em Rondônia, Marcos Aurélio Pereira de Moura, os caciques Amaral, Tataré, João, o Bravo, e Nacossa Pio Cinta-Larga estariam recebendo propinas de até R$ 30 mil por cada par de máquinas de garimpo que entrava ilegalmente na reserva indígena, além de porcentagem sobre o volume extraído de diamantes.O superintendente da PF se reuniu com juízes federais e procuradores da República daquele Estado e os avisou que os Cinta-Larga estavam dispostos a assinar um termo se comprometendo a cooperar com a PF na retirada dos poucos garimpeiros que ainda estão na reserva, e também impedi-los de retornarem. "Diante desse compromisso, seria um incoerência mantê-los detido aqui (na superintendência)", argumento o superintendente, alertando ainda que a prisão foi suspensa e não revogada. Caso os índios voltem facilitar o acesso de garimpeiros, eles serão presos, advertiu.O superintendente informou que se os garimpeiros tentarem voltar para a Reserva Roosevelt, serão presos sem qualquer mandado preventivo. Marcos Aurélio Pereira afirmou que policiais estão nas principais estradas de acesso àquela região, onde estavam cerca de 2 mil garimpeiros.Ainda não se número exato de garimpeiros que ainda podem estar no local, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai). A operação conta com 30 policiais e guerreiros de grupos indígenas. O garimpo do Roosevelt é um dos maiores produtores de diamantes do País e começou a ser explorado na metade do ano passado, quando milhares de pessoas entraram na área indígena com aval de funcionários da Funai e até mesmo do Ibama.

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