Cachoeira deve se manter em silêncio na CPI

Deputados e senadores estão descrentes de que haverá grandes revelações no depoimento de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, na CPI mista que apura a ligação do empresário com políticos e outros agentes, conforme foi revelado pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal. O depoimento de Cachoeira deve começar às 14h. Os parlamentares, entretanto, acreditam que Cachoeira deverá optar pelo silêncio, mesmo se for provocado, seguindo recomendação de advogados.

RICARDO BRITO, Agência Estado

22 de maio de 2012 | 13h53

Integrantes da base aliada e da oposição pretendem aproveitar ao máximo o tempo disponível para fazer perguntas a Cachoeira, com o objetivo de expor suas relações com agentes públicos e com o setor privado. Os aliados devem centrar seus questionamentos na relação do contraventor com o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e a relação com a empreiteira Delta na região Centro-Oeste, por meio do ex-diretor Cláudio Abreu.

A oposição, por sua vez, quer nacionalizar o depoimento, para tirar o foco de Perillo e Demóstenes. Por isso, tentará explorar a relação de Cachoeira com o ex-presidente da Delta Fernando Cavendish e com os governos de Brasília, do petista Agnelo Queiroz, e do Rio de Janeiro, do peemedebista Sérgio Cabral. "Não esperamos muito do depoimento", admitiu o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), para quem o contraventor não produzirá prova contra si.

Por essa razão, as perguntas dos parlamentares a Cachoeira serão mais retóricas do que efetivamente para serem respondidas. Não esperam, assim como foi o depoimento dele à CPI dos Bingos, revelações como acertos financeiros de autoridades públicas.

A despeito disso, o aparato policial para o depoimento dele está praticamente pronto. A escolta de Cachoeira do complexo penitenciário da Papuda ao Congresso foi um evento cinematográfico, com direito a helicóptero acompanhando o trajeto de 25 quilômetros percorrido pelo comboio de viaturas policiais. Ele já está no Senado, em uma sala reservada, distante da imprensa e dos curiosos.

No Senado, a sala e o corredor onde serão realizados o depoimento estão com acesso controlado pela Polícia Legislativa. Apenas servidores identificados e jornalistas com credenciais especiais serão liberados para acompanhar o depoimento, para não superlotar a sala.

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