Cabral: 'Vou colaborar muito na reeleição da Dilma'

Governador do Rio nega atritos com Dilma e diz que vai cumprir mandato até o fim

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo

02 de janeiro de 2012 | 23h00

RIO - O governador Sérgio Cabral assegura que cumprirá o mandato até dezembro de 2014 e nega qualquer atrito com Dilma Rousseff, prometendo trabalhar pela reeleição da presidente.

 

2011 foi o pior dos seus cinco anos de governo?

 

Todos os anos ofereceram dificuldades e conquistas. A partir de 2008, o segundo ano do governo, as conquistas se evidenciaram, porque em 2007 nos dedicamos a organizar a casa. Investimos em gestão, serviço público, qualificação das pessoas. Este foi um ano como os demais, com grandes conquistas e grandes desafios. Quem diria que o Rio seria o Estado com a recepção dos maiores investimentos brasileiros e estrangeiros em 2010? Iniciamos o ano com o desafio dos complexos da Penha e do Alemão, terminamos com a pacificação da Rocinha.

 

Em julho o sr. criou uma comissão de ética do Estado. Ela é para valer? Pode mudar o comportamento do funcionário público?

 

Ela está sendo montada pela Casa Civil, mas jamais foi apenas uma resposta para qualquer momento da minha vida pública. O nosso governo age com muita firmeza do ponto de vista ético. Demitimos inspetores de renda, funcionários públicos de todas as áreas. Não compactuamos com nenhum tipo de má conduta. A comissão de ética é importante como órgão consultivo.

 

O sr. se sentiu na obrigação de rever a sua própria conduta em relação a voos em aviões emprestados ou aceitar convites de empresários?

 

Não fiz nada de ilegal, mas é evidente que reavaliei e por isso estão contidas algumas restrições no procedimento da comissão de ética.

 

Nas contas do governo, vemos dois recordes. O sr. pagou R$ 1,6 bi em despesas com obras e R$ 172,5 milhões com publicidade. Quais as razões desses gastos?

 

O contrato de publicidade é de R$ 150 milhões e vai de abril a abril. É menos do que gastam a Bahia, São Paulo, Minas. Eu poderia ser o segundo do ranking porque sou o segundo Estado do Brasil. Mas não sou. Nas obras, ainda teremos mais investimentos em infraestrutura. Aumentamos em 50% o esgoto tratado no Estado em apenas cinco anos. Vamos recuperar estradas, porque o interior está crescendo muito. O segredo de São Paulo ter crescido muito é o interior pujante. Temos um novo ciclo de investimento em áreas antes abandonadas. É muita obra, muito investimento. E cada vez que a gente vai pacificando as comunidades, é um jogo de ganha-ganha. Temos cinco, dez anos de uma boa perspectiva pela frente.

 

Qual é o seu plano para depois 2014?

 

Meu projeto é terminar o mandato no governo, colaborar muito para a reeleição da Dilma (Rousseff) e do Michel (Temer). Acredito muito nesta aliança de centro-esquerda PT-PMDB. Tem feito muito bem ao Brasil. Você veja que o segundo mandato do presidente Lula foi muito melhor que o primeiro porque houve estabilidade para governar. Em 2012, quero colaborar com a reeleição do prefeito Eduardo Paes, sem dúvida o melhor prefeito da história da cidade do Rio. Em 2014 quero eleger Pezão meu sucessor e passar o bastão para ele.

 

A discussão sobre os royalties do petróleo afastou o sr. da presidente Dilma?

 

De forma alguma. Temos uma relação muito afetuosa. Ela, recentemente, em um evento em São Paulo, foi muito gentil ao comentar o quanto se sente a vontade em ser parceira do Rio, o quanto ela confia e acredita em nosso trabalho. Temos um grande respeito recíproco, uma grande parceria. Fez um primeiro ano exemplar, impôs seu estilo sem deixar de valorizar nosso líder maior, que é o presidente Lula. Ela está muito centrada e serena em um momento difícil do mundo, com grande sensibilidade e grande prevenção, com medidas importantes e corajosas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.