Cabral vira réu pela quinta vez

Ex-governador do Rio é acusado de crimes de lavagem de dinheiro entre 2007 e 2015 que somam R$ 10,1 milhões

Mariana Sallowicz e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2017 | 20h36

RIO - O juiz federal Marcelo da Costa Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, aceitou no início desta noite, 21, a denúncia apresentada, também nesta terça, pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho (PMDB). Agora, o peemedebista é réu em cinco ações penais, sendo quatro dos desdobramentos da Operação Lava Jato no Rio e uma em tramitação em Curitiba.

Além de Cabral, foram denunciados pelo crime de lavagem de dinheiro o ex-assessor da Casa Civil do governo do Rio de Janeiro Ary Filho e Carlos Miranda, apontado como um dos operadores financeiros do suposto esquema. Ary também foi denunciado por pertencer a organização criminosa, apontado como integrante do esquema de desvio de recursos públicos liderado por Cabral e investigado pela força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Segundo o MPF, os acusados lavaram dinheiro 148 vezes. Eles teriam cometido o crime de três formas distintas: forjando prestação de serviços de consultoria para pagamentos indevidos que acabaram embolsados; comprando veículos em empresas de um comparsa; e comprando imóveis também de uma empresa de um comparsa.

A nova denúncia do MPF, assinada pelos procuradores da República Leonardo de Freitas, José Augusto Vagos, Eduardo El Hage, Renato Oliveira, Rodrigo Timóteo, Jesse Ambrosio dos Santos Junior, Rafael Barreto, Sérgio Pinel e Lauro Coelho Júnior, é derivada da Operação Mascate, da Polícia Federal.

Os crimes foram descobertos a partir de uma delação premiada. Foram apresentadas provas de movimentação de R$ 10 milhões ocorrida entre 30 de agosto de 2007 e 28 de setembro de 2015, período que excede a gestão Cabral (ele governou por dois mandatos, entre 2007 e 2014).

De acordo com o MPF, entre outros atos ilícitos, foram pagos R$ 3,4 milhões à empresa Gralc/LRG Agropecuária, de propriedade de Miranda, a título de um serviço de consultoria que nunca ocorreu. "Diante da grandiosidade do esquema criminoso, (a denúncia) não esgota todos os crimes de lavagem de dinheiro cometidos no Brasil, nem tampouco todos os fatos praticados pelo grupo, que poderão ser objeto de novas denúncias", afirmam os procuradores.

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