Cabral usa atraso em encontro com Serra para cobrar trem Rio-SP

Quase duas horas de atraso por causadas más condições climáticas para pouso em São Paulo deram aogovernador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, mais munição paracobrar do governo federal nesta quinta-feira a instalação de umtrem-bala entre os dois Estados. Reunidos, Cabral e o governador de São Paulo, José Serra,criaram um grupo de estudos para acompanhar o desenvolvimentodo projeto, estimado em pelo menos 9 bilhões de dólares. Ogoverno federal prevê a licitação do trem-bala para o início de2008, e a construção levaria sete anos. "O meu atraso para chegar mostra a grande necessidade deuma alternativa de transporte ferroviário de velocidade entreSão Paulo e Rio", disse o governador, que foi obrigado a pousarno aeroporto de Viracopos, em Campinas, devido a chuva em SãoPaulo. Após percorrer cerca de 90 quilômetros entre o aeródromo dointerior paulista e o Palácio dos Bandeirantes, sede do governode São Paulo, Cabral disse a Serra que os Estados não podemficar à margem do debate. "Essa é uma demanda da sociedadebrasileira e estou confiante de que o trem-bala vai sair." Serra apresentou proposta de um trem "meia-bala", que fariaparadas em algumas cidades no trajeto de 400 quilômetros,alternando com uma composição ligando diretamente as duascapitais de Estado. As cidades paulistas de São José dos Campos e Taubaté, noVale do Paraíba, e Rezende, no Sul fluminense, foram citadascomo possíveis paradas. A proposta de um trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiroganhou fôlego com a crise aérea decorrente do acidente comavião da Gol em setembro e agravada com a tragédia da TAM emjulho. Estimativa da empresa italiana Itaplan é de que, noprimeiro ano de operação, a linha transportaria 32 milhões depessoas, segundo Serra. O bilhete ficaria em torno de 130reais, ante a média de 300 reais para a ponte-aérea atualmente. Cabral disse que grupos industriais da França, Espanha,Japão e Coréia do Sul também já demonstraram interesse peloempreendimento. O vencedor da licitação vai explorar o trajetopor 35 anos. O financiamento da obra deve ser feito por meio do BancoNacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e doBanco Europeu de Investimentos, segundo Cabral.

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