Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Cabral tinha camarão, bolinho de bacalhau, queijos e iogurte na cadeia

Segundo o MP, os alimentos eram não só para Cabral, mas para presos da Operação Lava Jato no Rio que estão na Cadeia Pública José Frederico Marques

Roberta Pennafort, Rio de Janeiro

24 Novembro 2017 | 19h26

RIO-Uma vistoria do Ministério Público do Rio realizada na tarde desta sexta-feira, 24, na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte do Rio, encontrou e apreendeu alimentos supostamente  proibidos e destinados ao consumo do ex-governador Sergio Cabral Filho (PMDB) e outros presos. Havia camarões, bolinhos de bacalhau e queijos, além de iogurtes e refrigerantes, em tonéis com gelo. O juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas, que concentra os casos da Lava Jato no Rio, disse ao Estado ainda não ter recebido oficialmente informações sobre a suposta irregularidade.

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Cabral foi chamado pela direção da cadeia para acompanhar a inspeção e responder se os alimentos eram para ele. Imagens veiculadas pela Globonews mostraram o ex-governador com uma expressão triste diante da descoberta. É possível ver pelo menos um tonel com gelo com o nome Sergio Cabral em cima. A anotação indicaria que alguns dos itens, que necessitam de refrigeração constante, eram para o ex-governador.

O Ministério Público divulgou portaria (610/2016) que permite que, em dias de visita, cada preso receba de suas famílias no máximo duas bolsas de plástico ou papel com frutas, biscoitos, alimentos cozidos, leite em pó, bolos, doces, cigarros, material de higiene pessoal, lençóis, toalhas, calçados e peças de vestuário.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, porém,  afirmou ter editado resolução dizendo que todo visitante de interno “pode levar até três bolsas de supermercado contendo alimentos ou produtos de higiene pessoal para os detentos”. As restrições seriam para alimentos ou produtos que dificultassem a fiscalização. A mesma nota dizia que os alimentos poderiam ser consumidos durante a visita ou depois, nas celas.

“A Seap  ressalta que o recipiente com gelo encontrado é artesanal, feito com baldes de plástico transparentes (sic) pelos próprios internos”, prossegue. “Cabe ressaltar que em todas as unidades prisionais do sistema existem fornos de micro-ondas  no pátio de visitas, que é disponibilizado para presos e visitantes.”

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À noite, a defesa de o ex-governador divulgou texto, criticando a ação do MP:

“Sérgio Cabral já é perseguido até pelo que come. Daqui a pouco será pelo que pensa. É lamentável se ver a mobilização de todo o aparato estatal em perseguição ao cardápio de um detento. Parecia que o Ministério Público (não) tinha coisas mais importantes a fazer no Estado do Rio de Janeiro, que fiscalizar comida de presídio. Pior ainda foi constatar mais uma ilegalidade praticada contra o ex-Governador que, nem mesmo preso, consegue ter a sua dignidade e a sua imagem preservadas.” Também estão presos na unidade a mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, um grupo de presos da Lava Jato e a ex-governadora Rosinha Garotinho (PR).

Apreensão. Os alimentos apreendidos na vistoria do MP estavam nas celas de Cabral, de Adriana, de Rosinha e do empresário do setor de ônibus Jacob Barata. O MP vai investigar como os alimentos entraram na cadeia.

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Prisão. Preso em novembro de 2016 sob a acusação de orquestrar um esquema bilionário de corrupção, Cabral estava inicialmente no complexo de Bangu. Lá, gozou de maior liberdade de circulação do que os presos “comuns”.

O ex-governador foi transferido para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, em maio deste ano. Lá foi construída uma ala só para presos da Lava Jato do Rio. A unidade estava desativada desde 2015 e foi reformada para abrigar presos com curso superior, como ele e seu ex-secretário de Saúde, Sergio Côrtes, entre outros. 

Os colchões em que Cabral e comparsas dormem em Benfica são mais altos e confortáveis do que os de Bangu. Foram usados por atletas que ocuparam a Vila Olímpica durante a Olimpíada de 2016. A separação entre o local de repouso e o banheiro, onde fica um chuveiro e um vaso sanitário, é mais elevada. Essas características dão maior privacidade ao detento.

Fotos. O MP está investigando por que a Seap não incluiu fotografias nos cadastros de Cabral, Picciani, Melo e do ex-secretário de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes. Eles foram fotografados  com o uniforme do sistema, mas as imagens não constam do cadastro, como acontece com os outros presos.










 

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