Cabral terá que cortar R$ 2,7 bi no custeio da máquina

Sem as informações que pediu à governadora Rosinha Garotinho na semana passada, o governador eleito do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), recebeu nesta terça-feira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) um diagnóstico da situação financeira do Estado do Rio e propostas de ações para implementar um forte ajuste fiscal. O trabalho, feito em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), onde está sediada a equipe de transição, aponta como necessário um corte de R$ 2,7 bilhões no custeio da máquina estadual. O montante é próximo da meta de Cabral, que quer cortar 50% das despesas (cerca de R$ 3 bilhões) no primeiro ano de governo. O governador eleito disse que, para isso, cada um de seus novos secretários terá de cortar no mínimo 20% dos gastos."Os secretários terão de se ajustar e vou cobrar de cada um que esse corte seja feito, inclusive repactuando com fornecedores. A situação é difícil, temos de reconhecer isso", disse Cabral. O governador afirmou que as medidas que pretende implementar a partir de janeiro são inspiradas no primeiro ano de governo de Aécio Neves (PSDB) em Minas Gerais. O presidente do TCE, José Graciosa, definiu a situação financeira do Estado do Rio como "ruim". No entanto, ressaltou que não adianta apenas cortar despesas para alcançar o ajuste fiscal sem melhorar a receita do governo estadual. Graciosa disse que pôde dar a Cabral os dados sobre 27 dos 30 itens da lista de informações que o governador eleito encaminhou a Rosinha e não obteve resposta até agora. Um dos pontos que ele afirmou não ter segurança para precisar antes de janeiro é o volume de restos a pagar que será deixado por Rosinha, estimado em R$ 2 bilhões. O estudo, antecipado ao governador eleito, será publicado pelo TCE nos próximos dias.SegurançaGraciosa e técnicos do TCE e da FGV reuniram-se pela manhã com Cabral e alguns de seus futuros secretários, como Sergio Côrtes, diretor do Instituto de Traumato-Ortopedia (Into), que foi indicado para a pasta da Saúde. Entre as recomendações do TCE está a troca do modelo atual de licitações por pregões eletrônicos. Segundo Cabral, sistema parecido também será usado para o pagamento de credores. Como feito em Minas, ele pretende implementar um leilão de dívidas que dá preferência aos credores que oferecem maior desconto.Entre os setores em que o TCE detectou gastos mal planejados pelo governo de Rosinha está a segurança pública. "Verificamos que, em 2005, os gastos em informação e inteligência foram muito pequenos para o tamanho do problema no Rio. Percentualmente, esse gasto chegou perto de zero no total de gastos de segurança. Isso evidentemente compromete a ação policial", criticou Graciosa. Cabral prometeu racionalizar os gastos em segurança, investindo mais no setor de inteligência e na integração com o governo federal. Ele também recebeu nesta terça o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, que disse ter vindo ao Rio conversar com Cabral por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois deverão se encontrar nos próximos dias para discutirem em detalhes o plano de segurança para os Jogos Pan-Americanos do Rio em 2007. "A questão da inteligência é fundamental. Quantas operações podem ser feitas sem o disparo de uma arma sequer? Vou aumentar o investimento em inteligência e valorizar a nossa Polícia Civil, que é um desejo do secretário. Ele disse que não tem qualquer interesse em política intervencionista", disse Cabral, acrescentando que teve "a melhor impressão" de Corrêa. "Evidentemente que o Pan é uma grande oportunidade para essa gestão de segurança ficar afinada no pós-Pan", afirmou o governador eleito. O secretário admitiu que houve dificuldades com o governo Rosinha, mas avaliou que o relacionamento agora é bom e tende a melhorar com a posse de Cabral.

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