Cabral rejeita plano B: ''Oportunistas não terão vez''

Cotado para vice de Dilma, ele apoia aliança com PMDB e sugere conter apetite por alternativas

Alexandre Rodrigues e Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

28 de abril de 2009 | 00h00

Não é hora de procurar plano B, avalia o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), referindo-se ao anúncio de que a pré-candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), será submetida a quimioterapia para combater um câncer linfático. Para Cabral, nada muda na articulação da aliança PT-PMDB. Um dos cotados para ocupar a vaga de vice na eventual chapa de Dilma, Cabral sugere que o apetite por alternativas seja contido nos próximos meses.Em entrevista ao Estado, ele não quis conjecturar possibilidades. "Os oportunistas não terão vez", afirmou Cabral, que disse acreditar na rápida recuperação de Dilma. "Os espertos da política e as células cancerígenas serão derrotados pelos médicos e pela forte aliança PMDB-PT." Aliado do presidente Lula, o governador disse que vai continuar defendendo no PMDB a aliança nacional com o PT. Cabo eleitoral assumido de Dilma, ele avaliou como acertada a decisão da ministra de dar transparência ao tratamento. Para Cabral, isso pode ajudar sua imagem pública."Ela se comportou muito bem, com uma transparência exemplar. É uma mulher de fibra, vai superar e estará no palanque no ano que vem para defender os oito anos do governo Lula e pedir o voto do povo brasileiro com o apoio do PMDB."Nesse cenário, Cabral deve contar com uma trégua de petistas fluminenses, que vinham aderindo ao plano do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), de ser candidato a governador, formando um segundo palanque para Dilma.Alinhada ao Diretório Nacional, a direção do PT fluminense é a favor da aliança com Cabral, mas aproveitou o movimento de Lindberg para pleitear mais espaço no governo fluminense e posição de destaque na chapa: vice ou uma vaga para o Senado. Cabral nega as pressões: "Não há nenhum problema."Com popularidade abaixo do que esperava, Cabral pretende ter o único palanque frequentado por Lula em 2010. O caminho seria a candidatura de Dilma, que assina a liberação de recursos do PAC para obras de infraestrutura e urbanização.Cabral já admitiu ter conversado com Lula sobre a possibilidade de ser vice da ministra, mas afirma ter escolhido a reeleição. Ele tem apenas 26% das intenções de voto, segundo apuração do Instituto Datafolha de março, mas o envolvimento do deputado Fernando Gabeira (PV) no escândalo das passagens aéreas pode deixar a oposição sem nome forte no Estado. Procurado pela reportagem, Lindberg não havia dado resposta até o fim da tarde.

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