Cabral reagiu mal aos protestos, afirma líder do PMDB na Câmara

Segundo Eduardo Cunha (RJ), governador do Rio precisa de 'reações corretas' e de tempo para superar queda na popularidade, diz líder do PMDB na Câmara

Daiene Cardoso - O Estado de S. Paulo,

31 de julho de 2013 | 15h39

Brasília - Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB na Câmara dos Deputados, afirmou nesta quarta-feira, 31, que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho — alvo de constantes protestos e com grande queda na aprovação, reduzida a 12% em julho — teve "reações equivocadas" durante as manifestações no Estado. Para Cunha, é preciso "distensionar" a antecipação do processo eleitoral e dar tempo para que Cabral corrija suas reações e supere o momento de queda de popularidade.

"Ficaram na rua dele uma semana acampados e ele não reagiu, tinha de ter reagido. Passou uma imagem ruim, de falta de autoridade. Depois quando ele reagiu, talvez tenha reagido com uma virulência maior que o habitual. Ele tem que arrumar as reações. Se ele tiver as reações corretas, obviamente ele vai se recuperar", disse Cunha.

O acampamento de jovens na porta da casa do governador, no Leblon (zona sul); a continuidade dos protestos; a reação da PM e a revelação de que um dos helicópteros oficiais é usado para levar o governador, a mulher, os filhos, a babá e o cachorro Juquinha à casa de veraneio em Mangaratiba pioraram a imagem de Cabral, no momento em que muitos governantes tiveram abalos na popularidade. A aprovação do governador do Rio chegou a apenas 12%, segundo pesquisa CNI/Ibope.

 "O remédio agora é governar. Todos (os governadores) têm que governar. A Dilma tem que governar e o Cabral tem que governar. Eleição é no ano que vem", afirmou.

Para o líder, que pretende conversar pessoalmente com o governador na próxima semana, é preciso "desestressar" do processo antecipado da sucessão de 2014 que, segundo ele, teria partido equivocadamente do PT e acabou contaminando as eleições regionais. "Não podemos viver (antecipadamente) a eleição", pregou. O deputado comparou a situação de Cabral a um jogo de futebol, onde o time leva três gols do adversário e precisa reagir, mas no momento adequado.

Ainda segundo o peemedebista, as mobilizações contra Cabral têm cunho político. "Não estou vendo povo de verdade ali. São profissionais. Aquilo que está na porta do Cabral não é povo não, aquilo é orquestrado", concluiu.

Em sua avaliação, as dificuldades enfrentadas hoje pelo governador do PMDB não beneficiam o deputado federal Anthony Garotinho (PR) ou o senador petista Lindbergh Farias, possíveis candidatos à sucessão de Cabral. "Quem vai ganhar com isso é um Freixo da vida", constatou o peemedebista, numa referência ao deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

Cunha negou que Cabral esteja desamparado pelos aliados, entre eles a presidente Dilma Rousseff e o prefeito Eduardo Paes (PMDB). "Não vejo o Paes se distanciando em nada", afirmou.

Tudo o que sabemos sobre:
CabralPMDBCunha

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.