Cabral não recebeu finanças do Rio que pediu a Rosinha

O governador eleito do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), ainda não recebeu informações da governadora Rosinha Garotinho (PMDB) sobre a situação financeira do Estado do Rio. Na semana passada, Cabral havia entregado ao secretário de Receita de Rosinha, Antônio Franciso Neto, uma lista com 30 pedidos de informação. Franciso Neto prometeu enviar os dados aos poucos, mas nesta segunda-feira o governador eleito disse não ter recebido nada e, por isso, diz não pode comentar a perspectiva de receber da governadora cerca de R$ 2 bilhões de restos a pagar. Cabral, no entanto, negou qualquer mal-estar. "As informações virão, tenho certeza", contemporizou. Nesta segunda, ele apresentou mais um nome técnico para compor o seu secretariado. Cabral foi buscar na equipe do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), o engenheiro Júlio Bueno para ocupar a pasta do Desenvolvimento Econômico de seu governo. Nos últimos quatro anos, Bueno foi titular da secretaria similar capixaba. Bueno assumirá também as atribuições da Secretaria de Energia, Indústria Naval e Petróleo, ocupada no governo Rosinha por Wagner Victer, que será o futuro presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). Carioca, Bueno foi presidente do Inmetro no governo do ex-presidente Itamar Franco e dirigiu a BR Distribuidora entre 1999 e 2001, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo Cabral, Bueno foi escolhido por sua capacidade técnica e terá carta branca para fazer nomeações sem vínculo político. O governador eleito contou que convidou o futuro secretário formalmente na última sexta-feira, quando almoçou em Vila Velha com o governador Hartung e alguns de seus secretários, entre eles Bueno. "Fiz uma cantada explícita e Hartung permitiu que eu resgatasse um carioca", brincou.Bueno disse que já abandonou o secretariado de Hartung para se integrar à transição no Rio. "O principal desafio é dar ao Estado do Rio credibilidade como lugar fundamental para investimentos", disse o novo secretário, que defendeu estabilidade de regras como forma de atrair empreendimentos.Nesta segunda, Wagner Victer recusou a idéia de que sua nomeação para a presidência da Cedae represente uma indicação do grupo político de Anthony Garotinho, mas confirmou que goza da confiança do ex-governador. Secretário de Energia nos governos de Garotinho e de Rosinha, o engenheiro disse que fará um choque de gestão na companhia deficitária, afastando a influência política da administração. Cabral quer a modernização da estatal nos moldes das similares de Minas e do Espírito Santo, cujos governadores visitou na semana passada. Primeiro escalãoAté agora, Cabral já divulgou o nome de cinco futuros colaboradores do primeiro escalão, todos com perfis técnicos que tentam satisfazer o amplo leque de alianças que o elegeu no segundo turno. Além de Victer e Bueno, o governador eleito já anunciou Régis Fichtner como chefe do Gabinete Civil, e Sergio Ruy Barbosa, como secretário de Planejamento. Os dois são quadros do PMDB do grupo de confiança de Cabral. Para a Saúde, foi escolhido o presidente do Instituto de Traumato-Ortopedia, Sergio Cortes, que tem bom trânsito com o governo federal e o PT. Para a Procuradoria Geral do Estado, a indicada é Lúcia Léa Guimarães Tavares, que foi secretária de Administração no governo de Moreira Franco, outro nome do PMDB fluminense. O vice-governador eleito, Luiz Fernando Pezão, indicado por Garotinho para a chapa de Cabral, também deverá ganhar uma secretaria, mas a pasta ainda não foi definida.

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