Cabral extingue Cheque Cidadão e opta por Bolsa Família

Em mais um movimento articulado com o Palácio do Planalto, o governador fluminense Sérgio Cabral Filho (PMDB) iniciou o desmonte dos programas sociais que recebeu dos dois governos anteriores , abrindo mais um ponto de conflito com o casal de ex-governadores Rosinha e Anthony Garotinho (PMDB). Cabral Filho ordenou à secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva, arquiinimiga dos Garotinho, a extinção do programa Cheque Cidadão, com a transferência dos seus beneficiários para o federal Bolsa Família, o recadastramento de todos os que recebem o benefício estadual e a unificação de todos os cadastros, para saber exatamente o número de benefícios e evitar a sua duplicidade. Em nota, Rosinha chamou o fim do Cheque de "amarga traição". "Eles (Rosinha e Garotinho) não vão poder ficar chateados por saber que o governo vai atender o dobro do que foi atendido. Acredito que, quando tiveram a iniciativa, foi pensando nessas pessoas (os pobres). Acredito que o pensamento não mudou, ainda que divirjam politicamente de alguma coisa", disse Benedita.Rosinha, porém, criticou. "Não esperava isso dele", disse, em nota. "Começar um governo tirando logo a comida da mesa dos pobres? Talvez ainda haja tempo para uma reflexão, afinal ele empenhou sua palavra na campanha, assegurando que os programas sociais seriam mantidos. Eu e Garotinho sempre pedimos ao Sérgio a manutenção dos projetos sociais. E ele nos dizia que eram intocáveis. Se isso vier a acontecer mesmo, será uma amarga traição."Bolsa FamíliaEx-governadora pelo PT, Benedita contou que a mudança foi combinada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e determinada por Cabral Filho ainda durante a fase de transição de governo. Segundo ela, ficou acertado que o governo federal, além de absorver as cerca de 100 mil famílias que recebem o Cheque Cidadão - ela afirmou não ter recebido dos antecessores oficialmente informações sobre a quantidade exata de beneficiários -, dobraria o número de beneficiários no Estado. Em 2006, no Rio de Janeiro, o Bolsa Família atendeu 448.940 famílias. "O governo federal diz que pode dobrar", disse. "Ora, quem vai perder a oportunidade de dobrar, se temos uma demanda bem maior?"Benedita contou que, nas conversas com o governador, contou um pouco da sua experiência como ministra da Assistência Social, quando o Bolsa Família começou a ser implantada. Ela deixou o cargo depois de um escândalo envolvendo uma viagem que fez a Buenos Aires, custeada com dinheiro oficial, para participar de um evento religioso. "O Bolsa Família é um programa nacional, e não tem razão o Estado se ocupar de um programa nacional quando pode se ocupar de outros programas, é só trabalhar", afirmou. O dinheiro do Cheque Cidadão, R$ 120 milhões anuais, irá para outros programas sociais, disse. Ela estimou que em três ou quatro meses a migração para o Bolsa esteja concluída. O processo será descentralizado, feito com colaboração das prefeituras.DiferençasO Cheque Cidadão é um vale de R$ 100, descontado por famílias carentes em uma rede de supermercados credenciada e é concedido mediante o cumprimento de condições semelhantes à do Bolsa Família. Uma das críticas ao Cheque era o envolvimento de religiosos na sua distribuição. Já o BF é pago em dinheiro. Em 2005, a então governadora Rosinha Garotinho avisou ao MDS que o Estado não complementaria mais o Bolsa Família, alegando não ter informações a respeito de sua gestão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.