Cabral e Paes anunciam boicote à convenção do PMDB

O prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (PMDB), acompanhou o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e disse que não comparecerá à convenção do PMDB que vai sacramentar a união do partido com o PT na chapa de Dilma Rousseff à Presidência. Eles se queixaram de falta de solidariedade dentro do partido para a questão dos royalties, cuja redistribuição foi uma iniciativa de dois parlamentares peemedebistas gaúchos: o senador Pedro Simon e o deputado Ibsen Pinheiro.

ALFREDO JUNQUEIRA, Agência Estado

10 de junho de 2010 | 13h44

Cabral afirmou que não tem ambiente para ir à convenção. Paes disparou uma crítica ácida contra o senador Pedro Simon, que apelou para o julgamento dos senadores nas urnas em outubro para defender em discurso a aprovação da emenda. "As madrugadas não são os melhores momentos para as pessoas que prezam pela ética agirem", disse Paes.

Embora conte com o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para barrar a emenda aprovada hoje no Senado que redistribui os royalties do petróleo, o governador criticou a insistência do governo federal de votar os projetos que envolvem o novo marco regulatório do pré-sal ainda este ano, às vésperas das eleições.

"Estão sacrificando o Rio agora para capitalizar a Petrobras. A Petrobras não é mais importante do que o Brasil, do que os 16 milhões de habitantes do Rio ou os 5 milhões do Espírito Santo", esbravejou Cabral ao encerrar entrevista coletiva no Palácio Guanabara, no Rio. Ele estimou em mais de R$ 7 bilhões os prejuízos anuais do Estado e de municípios fluminenses que contam com royalties do petróleo em seus orçamentos.

Cabral afirmou que já tinha alertado o presidente Lula no ano passado de que as finanças do Rio seriam prejudicadas no processo de alteração do marco regulatório no período pré-eleitoral. Ele disse ter feito o alerta ao presidente num jantar que reuniu também o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), e os dois principais pré-candidatos à Presidência: o ex-governador José Serra (PSDB) e a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). "Eu disse a eles que essas medidas do pré-sal em ano de eleição estavam jogando o Rio de Janeiro aos leões. Infelizmente o que eu havia dito naquela noite está se revelando a verdade", afirmou Cabral.

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