Cabral e Dornelles cobram de prefeitos vitória de Dilma

Em encontro de mobilização para o segundo turno organizado pelo governador reeleito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), prefeitos de algumas regiões do Estado foram repreendidos pelo fraco desempenho da petista Dilma Rousseff na primeira etapa das eleições presidenciais e convocados a garantir a vitória da candidata em 31 de outubro. A cobrança mais dura foi feita pelo senador Francisco Dornelles (PP).

LUCIANA NUNES LEAL, Agência Estado

19 de outubro de 2010 | 19h12

Em tom de brincadeira, ele chegou a dizer que os prefeitos que não garantirem a vitória de Dilma não serão contemplados com emendas parlamentares para seus municípios. "Eu acho que depois do dia 31 de outubro, vai vir aquela ficha: prefeito que ganhou e prefeito que perdeu. Prefeito que perdeu vai buscar emenda em outro lugar", discursou Dornelles, sob aplausos.

O senador disse entender que os prefeitos estivessem envolvidos com eleições de deputados, senadores e do próprio Cabral. "Agora não tem desculpa para a derrota de Dilma em qualquer município do Rio de Janeiro", afirmou.

Cabral, que teve 5,2 milhões de votos - 1,5 milhão a mais que Dilma no Estado - lançou um "desafio" aos aliados: "Como nós ganhamos, Dilma vai ganhar nas 92 cidades do Rio de Janeiro. Vamos ser gratos ao que o presidente Lula e Dilma como ministra fizeram pelo Estado."

A reunião, realizada em pleno horário de expediente, entre 16h e 17h, teve a presença de pouco mais de 60 dos 92 prefeitos fluminenses, além de deputados, vereadores e do senador eleito Lindberg Farias (PT). Também estava presente a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, que tirou férias para se dedicar à campanha de Dilma.

Na reunião foram citadas as regiões Serrana e dos Lagos como exemplos do mau desempenho de Dilma, que ficou em segundo e até terceiro lugar em alguns municípios. No Estado, Dilma ganhou com 43,76% dos votos. Em segundo, ficou Marina Silva (PV), com 31,52%. O tucano José Serra teve 22,53%.

Movimento religioso

O vice-governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB), disse que viu de perto, no interior, o forte movimento religioso contra Dilma. Ao mesmo tempo, lembrou aos prefeitos que a continuidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva é garantia de andamento de projetos que têm parceria com a União.

"A gente tem que ser pragmático, olhar para o próprio umbigo, ser bairrista", disse Pezão. "Demos uma vacilada e a maior votação da Marina foi no Estado do Rio, mas a candidatura do governador Cabral era tão forte que ela não puxou o candidato dela (Fernando Gabeira, do PV, que concorreu ao governo)", afirmou o vice, que se disse "pronto para conversar no rádio com pastor, com padre, com quem precisar".

Cabral considerou o encontro de Dilma com mais de mil artistas e intelectuais, na noite de ontem no Teatro Casa Grande, o início da "virada" para a vitória no segundo turno. O governador confirmou que a candidata e o presidente Lula estarão no Rio para uma carreata no domingo, o último antes da eleição. Segundo ele, a programação deverá ser feita na zona oeste.

Cabral brincou com o fato de que o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB), eleito senador, estará no Rio, no mesmo dia, em campanha para José Serra, na zona sul fluminense. "O Aécio é sempre bem vindo ao Rio, é um grande amigo meu. Ele vai curtir a orla, mas o povo do Rio vai votar com a Dilma", afirmou o peemedebista.

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