Cabral diz que a candidatura de Pezão é 'inegociável'

O governador Sérgio Cabral classificou de "inegociável" a candidatura de seu vice, Luiz Fernando Pezão, ao governo do Rio, em 2014. A defesa da candidatura é uma resposta ao fogo amigo de correligionários que desconfiam do potencial do candidato nas urnas e já admitem a viabilidade dele integrar a chapa petista ao governo carioca, encabeçada pelo senador Lindbergh Farias.

ANTONIO PITA, Agência Estado

05 Dezembro 2013 | 19h53

"Acreditamos que Pezão é a candidatura que dará continuidade à vigorosa transformação do Estado. É inegociável a decisão do partido com a certeza de oferecer um grande nome à população", afirmou Cabral, após uma solenidade no Palácio da Guanabara, sede do governo carioca. Nas últimas pesquisas, o vice-governador aparece com 5% das intenções de voto, na quinta posição.

Na mesma pesquisa, Lindbergh aparece com 15%, o que tem levado lideranças locais a pressionar o partido a romper com o PMDB. Desde junho, quando os protestos de rua derrubaram a popularidade de Sérgio Cabral, o PT estuda o melhor momento para sair da coalizão do governo.

Lideranças do partido queriam deixar os cargos até o final do ano, mas o ex-presidente Lula interveio, propondo um novo adiamento até março. Ele teme que o rompimento afete a aliança nacional entre os partidos, que sustenta o governo da presidente Dilma.

Março também é o prazo definido por Cabral para renunciar ao governo, para dar visibilidade ao vice. "Eu coloquei o meu nome, atendendo ao partido, para o senado, mas sempre pensando na aliança. Lula é o primeiro a entender que é preciso o entendimento. Converso com ele e falo da importância estratégica que ele tem nesse processo", completou o governador.

Fraternal

Cabral classifica a relação entre os partidos como "fraternal", mas o rompimento, segundo ele, seria um "erro político". "Respeito a decisão do PT, mas eles ainda são governo. Não é o momento para essas discussões", disse. O governador também evitou falar sobre possíveis cargos no governo federal em um eventual segundo mandato de Dilma. "Ainda tenho muito trabalho."

Também presente no evento, o vice-governador Pezão afirmou que trabalha para manter a aliança, mas não descartou ter o petista como seu vice na chapa para o governo. "Este é o momento em que todos os partidos estão trocando cotoveladas para ver o que vai acontecer. Fizemos uma transformação no Rio e perder isso seria muito ruim. Não dá para achar que programas como UPP vão ficar para sempre", afirmou.

Já o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, deputado Paulo Mello, também do PMDB, ironizou as "especulações" sobre uma chapa entre o partido e o PT. "As chances de Pezão ser vice de Lindbergh são as mesmas que eu trocar de sexo", afirmou.

Mais conteúdo sobre:
eleiçõesCabral

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.