Cabral desiste de vender quartel e negocia com índios

Depois de desistir das demolições do Parque Aquático Julio Delamare, do Estádio de Atletismo Célio de Barros e da Escola Municipal Friedenreich, três prédios nos arredores do estádio do Maracanã, na zona norte do Rio, e de aceitar negociar com os índios o destino do antigo Museu do Índio, situado na mesma região, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), anunciou nesta terça-feira outra desistência: desta vez, de vender o prédio histórico onde funciona o Quartel-General da Polícia Militar, no centro do Rio. A informação foi divulgada por Cabral à noite, em entrevista à rádio Bandnews.

CLARICE CUDISCHEVITCH E FÁBIO GRELLET, Agência Estado

06 de agosto de 2013 | 21h32

A venda do QG da PM havia sido confirmada pelo governador em maio. O plano de Cabral era transferir provisoriamente o QG para o prédio onde funciona o Batalhão de Choque, no Estácio, na zona norte, até que um novo prédio fosse construído. A obra, na Rua Fonseca Teles, em São Cristóvão, na zona norte, está orçada em R$ 100 milhões. Cabral informou apenas que a PM permanecerá no prédio atual, que ocupa desde 1831.

Enquanto isso, à tarde, a secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, reuniu-se com lideranças de 21 etnias indígenas no antigo Museu do Índio, ocupado novamente desde segunda-feira, 05, por cerca de 20 índios e simpatizantes.

Em outubro de 2012 o governo anunciou a intenção de demolir o prédio, que funcionou como museu até 1978 e foi ocupado por índios em 2006, para que o espaço fosse transformado em estacionamento para usuários do complexo esportivo do Maracanã. Os ocupantes se recusaram a sair e foram retirados pela PM, em abril, durante uma ação truculenta. Depois disso, o governo voltou atrás e desistiu de demolir o prédio. Anunciou que vai restaurá-lo, mas pretendia instalar ali um museu olímpico.

Diante dos protestos de índios e simpatizantes, o governo afinal anunciou que, em vez do museu olímpico, o imóvel irá abrigar um centro da cultura indígena. No entanto, os índios continuam insatisfeitos, agora em relação à administração da entidade. Eles querem assumir a gestão do centro e ser autorizados a morar no imóvel. O governo prefere que uma instituição ou órgão público administre o centro.

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