Cabral depõe em ação popular nesta terça

Audiência, por videoconferência, vai apurar se houve excesso no uso de helicóptero durante mandato do peemedebista, em 2013

Constança Rezende e Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2017 | 18h37

RIO - Preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho (PMDB) vai depor por videoconferência, nesta terça-feira, 21, na Justiça estadual do Rio. A audiência faz parte de uma ação popular que apura se houve excessos no uso de helicópteros durante o  mandato do peemedebista no governo estadual. A mulher do ex-governador, Adriana Ancelmo, será uma das testemunhas. Ela também está presa e será ouvida por vídeo. Outras testemunhas serão ouvidas pessoalmente.

Cabral e a mulher estão presos preventivamente por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro por força de mandados expedidos nas Operações Calicute, Eficiência e Lava-Jato. Os mandados foram expedidos pelos juízes Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal, no Rio, e Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal, em Curitiba.

“Considerando a repercussão do caso, bem como o fato de que o réu e a informante encontram-se presos, a audiência deverá ser realizada por videoconferência”, justificou a juíza Luciana Losada Albuquerque Lopes, da 8.ª Vara de Fazenda Pública.                       

A ação de número 0256088-18.2013.19.0001 tem como autor o procurador aposentado Cosmo Ferreira. Ela pede o ressarcimento aos cofres públicos dos valores gastos em viagens de helicóptero feitas em caráter pessoal por Cabral quando ainda era governador.

Sem concorrente. Reportagem publicada pelo Estado em 2013 revelou que apenas uma empresa, a offshore Synergy Aerospace Inc, sediada no Panamá e com capital social de US$ 10 mil, foi considerada habilitada na licitação que terminou com a venda ao Estado do Rio do helicóptero Agusta AW109 Grand New, avaliado em quase US$ 10 milhões (cerca de R$ 30 milhões, pelo câmbio atual), usado por Cabral em seus deslocamentos.

O então governador usava o aparelho sob alegação de medida de segurança. O processo de licitação para compra da aeronave foi obtido pela reportagem do Estado por meio da Lei de Acesso à Informação.

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