Cabral defende voto facultativo e candidaturas avulsas

O governador Sérgio Cabral (PMDB) defendeu nesta terça-feira a realização de um plebiscito sobre reforma política em que a população decida sobre pontos específicos a serem definidos pelo Congresso Nacional, em vez de uma consulta sobre a convocação de uma constituinte exclusiva. "Não precisa de uma constituinte específica. O Congresso atual pode estabelecer uma pauta e pode-se aproveitar o Sete de Setembro ou o Quinze de Novembro para a realização de consultas específicas à população", disse Cabral em entrevista ao Grupo Estado.

LUCIANA NUNES LEAL, Agência Estado

25 Junho 2013 | 18h29

Cabral defendeu o voto facultativo e a possibilidade de candidaturas avulsas, de pessoas não filiadas a partidos políticos, dois pontos que, segundo Cabral, deveriam estar no plebiscito. "A mensagem das ruas pode ser traduzida na candidatura avulsa. É um tema da ordem do dia e não acredito que comprometa os partidos políticos. Podem argumentar que aventureiros poderiam lançar candidaturas avulsas. Mas também há aventureiros nos partidos. Esse tema vale uma consulta pública, assim como o voto obrigatório. O voto facultativo melhoraria demais a política brasileira", diz o governador.

O governador elogiou a iniciativa da presidente de ouvir os governantes e disse que esses encontros deveriam se repetir periodicamente. "A presidente tomou uma iniciativa muito positiva que deve se repetir com frequência. É preciso um espaço de debate dos entes federativos, que muito ajudaria na construção de políticas de curto, médio e longo prazo. Estamos vivendo um aprendizado e temos que estar mais juntos para discutir o pacto federativo. Não dá para um jogar a responsabilidade para o outro. Questões como reforma política, combate à corrupção, mobilidade, saúde, educação têm envolvimento direto de todos os entes federativos", afirmou.

Angústia

Sobre a reunião de segunda-feira, 24, Cabral disse que sentiu uma "angústia" entre os participantes em relação ao futuro das manifestações que têm tomado as ruas do País. "O mais importante é a preocupação de garantir que tudo seja feito dentro do processo democrático, com manifestações legítimas que não sejam tomadas por setores do ''quanto pior melhor''. Não falo só de vândalos, mas de setores que, ideologicamente, defendem o caos. Há uma angústia em relação a isso", afirmou.

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