Cabral avaliza rompimento com PT no Rio

PMDB vai abandonar candidatura de Molon para lançar Eduardo Paes

Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

Um dos maiores aliados do Palácio do Planalto, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), avalizou com entusiasmo o rompimento do PMDB com o PT na capital fluminense, onde os peemedebistas desistiram de apoiar a candidatura do deputado estadual Alessandro Molon (PT) à prefeitura. Da Grécia, por telefone, Cabral elogiou a proposta do presidente da Assembléia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), de abandonar Molon e lançar Eduardo Paes na disputa. Anteriormente, Picciani vetava Paes, preferido de Cabral. A aliança PT-PMDB no Rio tinha a simpatia do governo federal. O rompimento prejudica Molon e pode levar o PT a deixar o governo estadual.Numa tensa reunião entre a cúpula local do PMDB e do PT, na quinta-feira , em que os peemedebistas reclamaram de resistências petistas a apoiá-los no interior e Picciani ameaçou lançar Paes, o ex-secretário Régis Fichtner telefonou para Cabral - que estava na Grécia, no evento de escolha das cidades pré-candidatas a Olimpíada de 2016 - e contou o que se passava. No encontro, o PMDB não formalizou o rompimento e os petistas demonstraram disposição de tentar viabilizar o acerto em algumas cidades.Logo após o encontro, porém, Fichtner ligou de novo para Cabral e passou a ligação para Picciani. Já sabendo o que ocorria, o governador aprovou o rompimento e a volta de Paes."Avaliamos que não estava havendo contrapartida justa por parte do PT", disse o secretário-adjunto do PMDB fluminense, Carlos Alberto Muniz. "Em menos de 30% das prefeituras o acordo foi cumprido." Na reunião, Picciani foi duro com a delegação petista, integrada pelo presidente regional do partido, Alberto Cantalice; pelo líder da bancada, Gilberto Palmares, e pelo presidente do PT municipal, Alberes Lima. Em tom ameaçador, o presidente da Alerj teria advertido, segundo testemunhas, que ficaria difícil fechar acordo. Então ressaltou que, naquela situação, Paes seria candidato. Picciani fez um relato das dificuldades que o PMDB encontrava para ter o apoio do PT em alguns municípios - os peemedebistas tinham 11 cidades como prioritárias. Um dos municípios, Queimados, tem para Picciani importância especial. Lá, um afilhado seu, Max Lemos, lidera as pesquisas para a prefeitura, mas o ex-chefe de Polícia Civil Zaqueu Teixeira quer concorrer pelo PT.O líder petista na Assembléia, Gilberto Palmares, argumentou que os petistas trabalhavam pela aliança na capital, onde o partido, mesmo sob risco de prejuízos, se preparava para uma aliança com o PMDB na disputa pela Câmara Municipal.Palmares lembrou, porém, que em algumas cidades, onde tem candidatos viáveis, o PT não poderia deixar de concorrer. Citou Barra Mansa, onde a deputada Inês Pandeló, ex-prefeita, é considerada forte concorrente petista. Em outros municípios, como Resende e Queimados, citados por Picciani, poderia haver "um esforço" para apoiar o PMDB, disse no encontro. O presidente do PT fluminense, Alberto Cantalice, também se mostrou disposto a um esforço político pela aliança. Após 3 horas de conversa, a reunião acabou. "Saí com a impressão de que estava difícil, mas a conversa seria retomada", contou Palmares.

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