Cabral, Aécio e Campos reforçam campanhas

Governadores tentam alavancar candidaturas nas capitais

Luciana Nunes Leal e Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2008 | 00h00

Na noite da última terça-feira, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), encerrou o expediente e foi direto para o estúdio da campanha do candidato do PT à Prefeitura do Recife, João da Costa. Durante uma hora e meia, Campos gravou a participação no primeiro programa eleitoral da TV, que vai ao ar na quarta-feira. Um dia antes, em Belo Horizonte, o governador Aécio Neves, do PSDB, foi ao tradicional Mercado Municipal pedir votos ao lado do candidato do PSB à prefeitura, Márcio Lacerda. No Rio, o governador Sérgio Cabral, do PMDB, cumpre a rotina de, três vezes por semana, tomar café da manhã com o candidato de seu partido à prefeitura da capital, Eduardo Paes. Seus três principais auxiliares são consultores da campanha.Apesar dos partidos diferentes, os três governadores tomaram decisões semelhantes nas eleições das capitais: mergulhar na campanha de seus candidatos. Os estilos são diferentes, mas o objetivo de alavancar os afilhados é o mesmo.Estão em plena atividade eleitoral, ao contrário de governadores como o de São Paulo, José Serra (PSDB), imprensado entre a preferência pelo prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), e a candidatura do companheiro de partido, Geraldo Alckmin. No Rio, Recife e em Belo Horizonte, o cenário é outro. Cabral optou pelos bastidores. O governador, que participou de rápido corpo a corpo com eleitores no sábado, está por trás da maior parte das decisões da campanha do ex-tucano, que tem 12% das intenções de voto segundo a última pesquisa Ibope, encomendada pelo Estado e pela TV Globo, empatado em segundo lugar com Jandira Feghali (PC do B), com 11%.Na tentativa de repetir a fórmula vitoriosa de sua campanha em 2006, Cabral emprestou seus três principais secretários para Paes, que funcionam como superconsultores do candidato. Advogado com experiência na área eleitoral, o secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, é o conselheiro jurídico. O secretário de Governo, Wilson Carlos Carvalho, trabalha nos contatos com líderes políticos e comunitários e na logística das caminhadas e carreatas. O vice-governador Luiz Fernando Pezão, também secretário de Obras e gestor dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Rio, tem levado Paes a favelas.O site do candidato não tem referência direta ao governador, mas ele está garantido na estréia do programa eleitoral. Em estratégia oposta à de Cabral, Aécio aposta desde cedo na associação de sua imagem à de Márcio Lacerda, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas, que tem 9% de intenção de voto, segundo o Ibope, e está tecnicamente empatado no segundo lugar com o candidato do PMDB, Leonardo Quintão, com 10%. No site da campanha, foto de Aécio aparece ao lado da do candidato, do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os internautas também podem ver e ouvir uma mensagem do governador em seu favor. O alto índice de desconhecimento de Lacerda não desanima Aécio. "A TV vai mudar isso. Está tudo dentro do previsto", disse o governador ao Estado. Aécio participa de reuniões de estratégia, tem voz nas tomadas de decisão mais importantes. Para o comando da campanha, indicou um auxiliar de sua confiança, o ex-diretor da companhia de saneamento do Estado, Copasa, Juarez Amorim, que assumiu a coordenação de logística.Já o eleitor do Recife não tem visto Eduardo Campos nas ruas pedindo voto. Mas o governador é mais que um cabo eleitoral do candidato petista à prefeitura, o ex-secretário municipal de Planejamento e Orçamento Participativo João da Costa, 30% das intenções de voto, empatado na liderança com Mendonça Filho (DEM), que tem 27%. Campos não apenas será um dos principais personagens da campanha na TV como está empenhado na elaboração do programa de governo. Como Aécio, está no site da campanha, onde também têm destaque Lula e o prefeito do Recife, João Paulo (PT). Campos tem centrado o discurso na idéia de que a eleição do aliado "reforça a articulação e mantém as três esferas de Poder com os mesmos compromissos".

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