Cabral admite evitar favelas por causa da violência

Governador do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, Sérgio Cabral Filho (PMDB) admitiu que não circula com frequência por algumas comunidades carentes do Estado por causa da violência. O peemedebista citou a favela da Rocinha, na zona sul da capital fluminense, e os complexos de Manguinhos e do Alemão, ambos na zona norte, como exemplos de locais em que ele só vai com aparato de segurança. As três comunidades são dominadas pelo tráfico de drogas e vêm recebendo grande volume de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

ALFREDO JUNQUEIRA, Agência Estado

26 de agosto de 2010 | 18h58

As declarações do governador foram feitas durante sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo. Cabral falava sobre as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), sua principal bandeira na área de segurança pública, quando foi questionado se sentiria à vontade de circular pela Rocinha - uma das maiores comunidades do Rio que ainda não passou pelo processo de instalação de uma dessas unidades.

"Não posso circular na Rocinha como posso circular no Chapéu-Mangueira e Babilônia (comunidades que têm UPPs). Quando vou inaugurar na Rocinha as obras, tem toda uma estrutura de segurança. Assim como no Complexo do Alemão e de Manguinhos", afirmou o governador.

Logo depois, Cabral chorou quando contava que levou um de seus cinco filhos para participar da inauguração de uma quadra esportiva no Morro dos Tabajaras, em Copacabana, comunidade que conta com UPP. "Você não faz ideia do nível de emoção que dá poder ver meu filho circular por aquelas vielas sem preocupação", disse o governador, que, nesta campanha, também já se emocionou durante o primeiro debate entre os candidatos ao governo do Estado e em vídeos gravados para o seu programa eleitoral.

Vídeo

O peemedebista ainda falou sobre o polêmico vídeo gravado pelo estudante Leandro dos Santos de Paula, durante uma inauguração do PAC no Complexo de Manguinhos. Na ocasião, o rapaz é repreendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de pedir a construção de quadras de tênis na comunidade. O garoto é chamado de "otário" e de "sacana" pelo governador ao responder que não sabia se há traficantes armados na rua em que mora.

Cabral diz que não errou ao xingar Leandro, que na época da gravação do vídeo tinha 17 anos, e que esperava receber um pedido de desculpas dele. Depois, o peemedebista afirmou que havia perdoado o rapaz.

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