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Hélvio Romero/AE
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Cabos eleitorais cobram R$ 200 mil para abrir as portas de comunidades

Eles são o mapa da mina para muitos votos. Mas o sonho de cada um é tornar-se assessor parlamentar do eleito

Felipe Frazão e Fernando Gallo, de O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2012 | 16h00

Eles não escolhem partido político. Podem ser filiados ou não. A cada dois anos, aproveitam a campanha para ganhar um dinheiro extra como cabos eleitorais. Líderes comunitários mantêm vínculos com vereadores e os ajudam a fazer propaganda nas comunidades da periferia. Pelo trabalho, cobram valores que chegam a cerca de R$ 200 mil mensais para espalhar divulgadores com bandeiras e panfletos, carros e guardadores de placas nos bairros. E esperam ganhar vagas de assessores parlamentares, caso o candidato seja eleito.

Conhecido como Chico Loco na Associação de Moradores do Jardim Paraná, na Serra da Cantareira, zona norte, o despachante Geraldo Barreto, 40 anos, prepara planilha de custos para oferecer seus serviços. Cobra de R$ 3 mil a R$ 5 mil só para coordenar equipes – média de 15 por zona eleitoral – comprometidas em trazer uma média de mil votos cada. As equipes têm seis pessoas – cada uma recebe R$ 800 – e um líder de R$ 1,5 mil. Custos que podem ser declarados à Justiça Eleitoral se candidato quiser, diz o despachante.

"Todo vereador vai atrás de liderança, porque senão ele não entra na comunidade", diz Chico Loco. "Contrato aquelas mulheres que fazem bandeirada. Se não é uma pessoa como eu, que não tem medo de entrar na comunidade e conversar, não teria isso na rua hoje." Filiou-se ao PSC por influência do ex-vereador e ex-deputado Hanna Garib – acusado de envolvimento com a Máfia dos Fiscais, em 1998. Barreto planeja campanhas de rua e vende os pacotes que incluem até nove zonas eleitorais da região norte da capital paulista, de Santana ao Jaraguá.

Chico Loco trabalhou em eleições passadas para o vereador Juscelino Gadelha (PSB) e diz ter ajudado Nelo Rodolfo (PMDB) e Noemi Nonato (PSB) – de quem recebeu uma homenagem na Câmara no ano passado – o diploma de "Mérito Comunitário". Só trabalha por recomendação: "Liderança tem de ser de confiança", afirma.

"Aqui tem 3 mil votos garantidos", sustenta Valdivino Ferreira Souza, o Piriquito, presidente da Associação de Moradores da Chácara Santana, na zona sul. Há 12 anos Piriquito é cabo eleitoral do vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR). Antes trabalhou nas campanhas municipais de um dos rivais de "Carlinhos" na região, o vereador Milton Leite (DEM).

Ele é dos que não têm coloração partidária: nas campanhas para deputado, trabalhou para petistas como Carlos Neder, Vicente Cândido e Rui Falcão. Também fez campanha para a tucana Delegada Rose e para o ex-governador peemedebista Orestes Quércia, morto em 2010.

Piriquito não revela quanto ganha. "O que preciso do político é de um ônibus, uma cesta básica e de tinta para pintar a associação. E de alguém que corra atrás dos prefeitos e secretários para implantar programas aqui pra gente".

No Jardim Colombo, zona sul, Ivanildo de Oliveira teme a reação do PT . É que em 2008 o presidente da associação de moradores local fez campanha para os candidatos do partido, mas agora fechou com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e faz campanha para José Serra (PSDB) e para a candidata a vereadora Rosa Richter (PSD), candidata à vereadora que tenta pela primeira vez uma vaga na Câmara.

O candidato que contratou seus serviços, desta vez, além de pagar também precisou assinar um termo de compromisso com a associação de moradores. Oliveira exigiu comprometimento com um projeto comunitário, que envolve a instalação de uma padaria no Jardim Colombo. Quer que, no futuro, a padaria aceite uma moeda própria, que circulará localmente.

"Poderia fazer um acordão e vender a comunidade, mas nenhum candidato entra aqui sem um compromisso por escrito com os moradores", garante Oliveira.

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